E eu? Me fiz essa pergunta a semana toda, Zé. Dados os últimos acontecimentos da vida, tenho me obrigado a persistir sem vacilar, erguida com a pouca dignidade que me resta. Dá raiva, Zé, dá um aperto no peito, um desespero também. Uma vontade de gritar, pedir colo, me render, desistir. A troco de quê? Não sei. E já se vão longos cinco anos sem saber.
Esses dias eu quis morrer, só pra variar. Não via mais sentindo seguir esse caminho que a mim foi destinado sem muita conversa, muito acerto. Aquele vazio que tinha se aquietado, resolveu pôr as garrinhas de fora mais uma vez. Cá estou eu, inundada no caos do vazio de mim. Talvez Sócrates explique, como todas as outras coisas da vida que ele fez o favor de criar uma teoria. E essa foi outra descoberta, Zé, na teoria, sou péssima na prática.
Percebi que ainda guardo muitas coisas, Zé, e, quando menos percebo, elas me invadem. Tem um pouco de raiva e remorso descansando na quietude de ser o que sou. Vez ou outra, esses sentimentos me tomam. Ma travam. Me paralisam. E não há muito o que fazer. É deixar os dias acontecerem e a vida seguir seus caminhos tortos.
Eu só queria a certeza de um limite, Zé. O ponto de descanso, um pouso para meu voo intermitente. Talvez essa não seja a minha vida, o meu grande espetáculo. Talvez eu tenha parado aqui por acaso, incidente, lei da gravidade. Não sei, Zé, mas cansa. E tem cansado mais a cada dia. E tem doído mais. Tem me consumido. E eu simplesmente não sei o que fazer com tudo isso.
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