domingo, 20 de agosto de 2017

Infinito.


  Você foi embora e, embora sua presença já fosse uma grande ausência em minha vida, tem dias que eu me vejo mais vazia ainda. É engraçado porque, mesmo depois de tanto tempo, perturba saber que essa falta nunca será preenchida. Veja bem, não houve e nem haverá substituto.
E com isso eu não afirmo que te quero de volta desse ou de qualquer outro jeito torto. Você foi embora e eu aprendi a partir também. Fui embora de tudo aquilo que me prendeu a você, mesmo depois de tantos dias tristes, mesmo depois de todo lamento. Mesmo depois de tanto acreditar que só teria jeito se fosse do meu jeito. A verdade é que não foi e nunca vai ser.
Não te quero de volta, de nenhuma forma. Sem disfarces, sem falsas verdades, não fujo de mais nada. A sua presença é gatilho certo para a minha insensatez. Por isso a distância medida e contada nesses dias que se desdobraram desde aquela fatídica tarde de setembro que me fez enxergar tudo, até o que eu não queria.
Essa tristeza no meu peito foi a única companhia fiel que tive na vida. A ela me afeiçoei. Aprendi a conviver. Não me incomoda dizer que sou triste. Não, tristeza até que é bom, nos ensina a esperar menos e, quem sabe assim, ser surpreendido pela vida.
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de dar um rumo aos meus passos. Ao menos agora eu sei bem o que não quero. Reduzi consideravelmente a margem de erro, depois de tanto errar. Você foi o meu maior erro, não nego.
Mas não quero voltar aos dias em que era refém do que eu idealizei para mim. Não. Agora eu já dei a cara a tapa, não tenho mais nada a perder. Você foi a perda mais certa nessa minha mania de incertezas.

Se eu pudesse te pedir ao menos uma coisa na vida, seria compreensão. Agora, mais do que nunca, entenda o meu lado. Ou não entenda nada. Assuma sua culpa apenas. Deixe que a minha eu trato de amenizar nas linhas que ainda me povoam.  

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