Você foi embora e, embora sua presença já fosse uma grande
ausência em minha vida, tem dias que eu me vejo mais vazia ainda. É
engraçado porque, mesmo depois de tanto tempo, perturba saber que
essa falta nunca será preenchida. Veja bem, não houve e nem haverá
substituto.
E com isso eu não afirmo que te quero de volta desse ou de qualquer
outro jeito torto. Você foi embora e eu aprendi a partir também.
Fui embora de tudo aquilo que me prendeu a você, mesmo depois de
tantos dias tristes, mesmo depois de todo lamento. Mesmo depois de
tanto acreditar que só teria jeito se fosse do meu jeito. A verdade
é que não foi e nunca vai ser.
Não te quero de volta, de nenhuma forma. Sem disfarces, sem falsas
verdades, não fujo de mais nada. A sua presença é gatilho certo
para a minha insensatez. Por isso a distância medida e contada
nesses dias que se desdobraram desde aquela fatídica tarde de
setembro que me fez enxergar tudo, até o que eu não queria.
Essa tristeza no meu peito foi a única companhia fiel que tive na
vida. A ela me afeiçoei. Aprendi a conviver. Não me incomoda dizer
que sou triste. Não, tristeza até que é bom, nos ensina a esperar
menos e, quem sabe assim, ser surpreendido pela vida.
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de dar um rumo aos meus passos.
Ao menos agora eu sei bem o que não quero. Reduzi consideravelmente
a margem de erro, depois de tanto errar. Você foi o meu maior erro,
não nego.
Mas não quero voltar aos dias em que era refém do que eu idealizei
para mim. Não. Agora eu já dei a cara a tapa, não tenho mais nada
a perder. Você foi a perda mais certa nessa minha mania de
incertezas.
Se eu pudesse te pedir ao menos uma coisa na vida, seria
compreensão. Agora, mais do que nunca, entenda o meu lado. Ou não
entenda nada. Assuma sua culpa apenas. Deixe que a minha eu trato de
amenizar nas linhas que ainda me povoam.

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