sábado, 15 de abril de 2017

Set me free, leave me be.


 Precismos retomar a vida, Zé, esse foi o combinado. A última semana foi de longe a mais angustiante de ser levada. Levou meu ânimo, meu sono, minha vontade de viver. Mas alguém precisa tomar as rédeas da situação e esse alguém sou eu. Não vou falar de cansaço, não vou falar dessa vontade de morrer, nem do quão difíceis foram os últimos dias. Isso não diz respeito a mais ninguém.
A verdade suprema é essa. Pouco importam as dificuldades, ninguém vai se responsabilizar pelo estrago feito. É melhor assumir o quanto antes que você é o responsável pela situação (caótica) toda. Quanto mais cedo fizermos isso, menores serão os estragos.
Sou um amontoado deles, Zé, são tantos que já nem sei diferenciar. Pior é que não consigo me culpar, já remoí muito, já chorei muito, esperneei, fingi não ver. Agora me sobrou um vazio, mesmo estando tão cheia de tudo. Sim, um vazio enorme, que começa no peito e vai até o limite da alma. Só ele preenche meus dias.
Eu não sei o que fazer, ainda estou perdida. Sigo as recomendações que me foram feitas sem ter muita certeza do rumo que as coisas estão tomando. Às vezes eu penso que tudo vai acabar bem, às vezes sou eu quem quer acabar com tudo. Será mesmo esse o propósito?
Mais um pra lista das coisas que me incomodam e eu não faço a mínima ideia de como resolver. Os últimos anos me tiraram mais do que eu estava preparada para perder. Ainda não me recuperei. Nem sei se isso é possível, tamanho é o estrago. Como a gente dá jeito naquilo que parece não ter mais jeito?  

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