Precismos retomar a vida, Zé, esse foi o combinado. A última semana
foi de longe a mais angustiante de ser levada. Levou meu ânimo, meu
sono, minha vontade de viver. Mas alguém precisa tomar as rédeas da
situação e esse alguém sou eu. Não vou falar de cansaço, não
vou falar dessa vontade de morrer, nem do quão difíceis foram os
últimos dias. Isso não diz respeito a mais ninguém.
A verdade suprema é essa. Pouco importam as dificuldades, ninguém
vai se responsabilizar pelo estrago feito. É melhor assumir o quanto
antes que você é o responsável pela situação (caótica) toda.
Quanto mais cedo fizermos isso, menores serão os estragos.
Sou um amontoado deles, Zé, são tantos que já nem sei
diferenciar. Pior é que não consigo me culpar, já remoí muito, já
chorei muito, esperneei, fingi não ver. Agora me sobrou um vazio,
mesmo estando tão cheia de tudo. Sim, um vazio enorme, que começa
no peito e vai até o limite da alma. Só ele preenche meus dias.
Eu não sei o que fazer, ainda estou perdida. Sigo as recomendações
que me foram feitas sem ter muita certeza do rumo que as coisas estão
tomando. Às vezes eu penso que tudo vai acabar bem, às vezes sou eu
quem quer acabar com tudo. Será mesmo esse o propósito?
Mais um pra lista das coisas que me incomodam e eu não faço a
mínima ideia de como resolver. Os últimos anos me tiraram mais do
que eu estava preparada para perder. Ainda não me recuperei. Nem sei
se isso é possível, tamanho é o estrago. Como a gente dá jeito
naquilo que parece não ter mais jeito?

Nenhum comentário:
Postar um comentário