"Mas
a vida é assim mesmo
Não
se pode exigir
Pouco dá pra esperar"
Pouco dá pra esperar"
(Nei Lisboa)
Por mim, acabava agora, Zé. Não encontro mais motivação para
seguir os dias. E olha que eu insisti. Você sabe muito bem que isso
não é de hoje. Mas chega, o corpo não aguenta mais e a cabeça há
muito passou do limite. Queria enfim descansar sem hora para retorno.
Sim, estou ouvindo pela milésima vez a canção que me diz que não
nos falamos mais, porque ela tem sido o consolo dos últimos
acontecimentos. Procurei ajuda, Zé, e por um instante de vida, me
senti acolhida e até pensei que tudo poderia ficar bem no fim das
contas.
Mas a verdade é que nada fica realmente bem, e aí passa um segundo
e algo me derruba, não dá pra controlar. Hoje caí logo cedo,
porque as intervenções externas me roubam o equilíbrio de ser o
que fatidicamente me propus.
Envelheci, Zé, e percebo o quão chata a vida me deixou.
Desinteressante também, só me agrado por aquilo que não tem
importância alguma para o resto do mundo. Cansei do mundo e daquilo
que ele me obrigou a ser.
Não me peça para ter paciência, Zé, foi o que eu mais tive nos
últimos tempos. Quero o descanso que julgo merecido. Não só para
mim, mas para o resto do mundo. Acho que ele também se cansou do que
eu acabei por me tornar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário