Ao que tudo indica, as coisas vão começar a andar. Me prometi isso,
Zé. Mentira, não me prometi nada, pois sabia que eu seria incapaz
de cumprir. Mas estou fazendo as coisas acontecerem, mesmo com tudo
virado. É que eu percebi que não adianta esperar as coisas
melhorarem para eu começar a fazer a vida valer à pena. Já perdi
tempo demais e isso é irreparável.
Comecei a vencer alguns medos bobos, estou tomando as
responsabilidades da vida como parte essencial daquilo que preciso
levar daqui para a frente. Ainda me escondo atrás de paranoias que
só existem na minha cabeça, mas isso é algo que só vou resolver
com ajuda especializada, já me convenci disso.
A vida tem ultrapassado todos os limites de velocidade, Zé. Ninguém
mais consegue acompanhá-la. Isso me preocupa um pouco, mas também
me leva a acreditar que é preciso que seja assim. Estou começando a
acordar para aquilo que quero ser, Zé, e que eu deixei sufocado por
muito tempo. Não dá pra ser tudo, então vamos ser o melhor que
podemos dentro dessa história.
As coisas têm acontecido sem uma ordem certa, Zé. Isso me incomoda
um pouco, mas me leva a ver que nada do planejado costuma dar certo.
Muito plano só traz frustração no fim das contas. Deixemos eles de
lado, vamos viver de acordo com o que o dia tem a nos oferecer.
Tô feliz, Zé, tô bem em conseguir chegar na metade do caminho.
Realmente, o mais difícil é dar o primeiro passo, depois dele, as
coisas se desenrolam, seguem o curso natural do que devem ser. Ainda
estou longe do que quero, mas, pelo menos, não estou mais fazendo o
caminho contrário. Espero o próximo passo. Enquanto isso, durmo e
cumpro as idiossincrasias da vida. Nada a acrescentar. Só mais um
dia em minha furtiva vida.

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