quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Mais um novembro.


 Não sei, Zé, mas acho que esse ano me ensinou que a morte é a única certeza que temos na vida. Me ensinou também que essa é a única certeza que não conseguimos lidar. Perdi muita coisa, Zé. Muita gente também. Vidas que guardavam em si muito do que eu já fui, muito daquilo que eu gostava de ser. Veio a dona morte e me mostrou que nada, nem ninguém pode mudar a sua vontade.
Não é que ela me assuste, o que me assusta é a falta de tato das pessoas para com ela. Por que é tão difícil lidar com essa situação? Embora me entristeça, não é algo que me paralisa. Consigo enxergar o correr da vida depois de um derradeiro assim, mas não é algo que acontece com todo mundo.
O que tem me afetado, Zé, e tem incomodado cada vez mais é essa angústia que já faz morada no peito. Essa falta de viço quando o dia amanhece, quando a vida me exige nada mais do que o aceitável: que eu viva. Não quero, Zé. Não tenho vontade. Me sombram medos e receios, e o que eu sinto é uma paralisia descomunal diante daquilo que o mundo tem a me oferecer. Ao mesmo tempo em que vivo o futuro, peço que o tempo se arraste para que eu adquira um pouco mais de coragem para enfrentar o dia de amanhã.
São tempos difíceis, Zé. Muitas mudanças estão por vir. Você sabe o quanto elas me inquietam. O quanto isso afeta o equilíbrio que, a muito custo, tento manter. Tenho morrido mais depressa, Zé. A sensação que tenho é a de que estou vivendo a vida mais depressa, sem necessariamente cumprir as etapas que me são exigidas.
Já não espero tanto, até por que me falta tempo pra tudo, me sobram frustrações. Quero morrer para descansar, Zé, não consigo mais dar conta do cansaço dos dias. Minha falta de ser tem me impedido de ver o que ainda posso ser. Sou pura dúvida dentro das minhas escassas certezas. Sou cansaço também. Vontade de não acordar toda manhã. Mas continuo cumprindo os dias, como a última alternativa que me resta.    

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