E se ele for mesmo o amor da sua vida, Zé, o que a gente faz?
Não dá pra voltar e dizer que está tudo bem, que o tempo tratou de
curar as feridas e a vida pôs a casa em ordem.
Ainda existe uma bagunça que nunca foi arrumada. A cicatriz ainda
está lá para lembrar todo santo dia. Tem coisas que o tempo não
apaga, e a gente só aprende a conviver. Vai levando com a vida. Mas
e se ele for mesmo? Como é que a gente resolve? Como a gente faz a
cabeça e o coração se entenderem?
Pensei nisso num estúpido momento, mas agora já me parece grande
demais. E se for essa a minha sina?! E se não tiver solução?! Tem
como ser feliz sem seguir o plano? Tem como dar certo se já deu
errado tantas vezes?
O tempo tem sido um consolo, Zé, mas isso de dar tempo ao tempo
acaba nos tomando tempo demais. Quem sabe a hora certa? E se ela já
passou?
Tem tanta coisa, Zé, tanta coisa que eu queria dizer e mais coisas
que eu queria ouvir. Mas não sei se é certo. E não sei se há
tempo. Será que já foi, Zé? Será que ainda vem?
E se for mesmo verdade, Zé, como é que a gente sabe?! Ou melhor,
como a gente lida com tudo isso?

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