Então, foi isso. Meu coração se quebrou uma infinitude de vezes
desde que você se foi. Não só pela partida. Mas por cada mentira
descoberta, por cada verdade doída, por cada conta de realidade que
meus olhos constatavam.
E como ainda me dói às vezes. Não que eu queira, mas foge de mim,
não sei dizer o porquê. Impossível resgatar o vínculo supérfluo
que nos prendia. Mesmo se eu quisesse, mas a verdade é que não
quero. Existe uma realidade da qual você nunca fez parte e da qual
eu não posso abrir mão.
É da minha liberdade que estamos falando. Do fato de agora eu
poder, finalmente, ser o que sempre me propus. Não o que eu quero
ainda, mas o mais próximo disso que já consegui chegar. Não
consigo te enxergar dentro daquilo que sou agora e, talvez por isso,
minha luta seja ainda maior para abandonar os fantasmas do que fomos.
Porque agora não somos, nem podemos mais ser. Existe uma magia
dentro do tempo que nos impede de voltar a ser. Então só nos resta
continuar, seguir o fluxo, manter o passo. Nós e nossas liberdades
que nos prendem ao fato de não sermos mais o que éramos.
Para melhor, é o que desejo todos os dias. Que os caminhos tenham
seguido da melhor forma que poderiam seguir. Sem apegos. Ainda estou
descobrindo o que é ser, mas tenho plena consciência da necessidade
de liberdade e distância. Eu não saberia ser mais próxima daquilo
que fui, por isso precisei dizer adeus. É bom que também tenha
feito o mesmo. Não somos mais o que fomos, mas ainda temos muito
mais a ser daqui pra frente. E que seja melhor o que há por vir.

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