Porque a vida é assim, Zé. Tem dia que simplesmente a gente se dá
por vencido. Se convence de que não adianta lutar contra a maré e
deixa ser levado pela correnteza. Ah, Zé, benditas as horas de
sossego, bem-vindas as notícias que chegam para nos por um sorriso
na cara e plantar uma sementinha de esperança no peito. Confesso já
estar incomodada com a nudez dos campos da minha alma, parece que a
fé anda abalada, embora eu a reforce todos os dias com orações e
preces.
O mundo é injusto. Cruel e convencido, não costuma dar o braço a
torcer. E por mais que a gente tenha consciência das nossas faltas,
ainda somos atropelados pelos excessos alheios. Te digo sem medo, Zé,
enquanto tento reconhecer minha pequenez diante das coisas, sou
engolida pela soberba e prepotência dos outros.
Me vejo cada vez menor nesse mundo que me exige ser grande,
forte e ostensiva. Eu não, Zé, quero a tranquilidade da vida nos
dias que me restam. Quero poder desfrutar mais da calma que a vida me
ensinou a procurar nas coisas que me cabem. A vida em si tira muito
da gente, por isso eu faço gosto por tudo o que permaneceu. Sem
excessos, Zé, já sou exagerada por natureza.
Quero menos aperto no peito e mais leveza nos passos. Saber
esperar sem morrer na demora. Ser feliz mesmo na tristeza que o dia
reserva. Fazer por onde, mesmo sem atingir as expectativas. E viver,
Zé, sem que me doa essa parte.

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