quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Não desaguam em nenhum lugar.




Meus medos me sufocam, Zé. Me tiram do chão. Faz pouco tempo que me dei conta disso, mas ainda não consegui contornar essa situação. Ontem eu achei que ia morrer, e isso tem me acontecido com frequência. Não tenho vivido desde então. Tenho sobrevivido sem muito ânimo.
Os dias doem, os anos pesam nas costas. Sofro as antecipações, divagações, animações e desatenções da vida. Tenho medo do medo. Mas tenho mais medo ainda do que isso tudo ainda pode me causar. Porque parece que os dias encurtaram, que o tempo resolveu correr e eu não acompanho mais o ritmo das coisas.
Não sei mais o que fazer, Zé. Nem a quem recorrer. Me sinto cada vez mais só, mas isso não tem me causado tristeza. Às vezes eu acho que as pessoas são não estão preparadas. Outras vezes, acho que elas só estão cansadas demais para se importar. Eu também, Zé, acho que estou cansada demais. Da vida, dos dias, daquilo que acabei por me tornar.  

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