Meus medos me sufocam, Zé. Me tiram do chão. Faz pouco tempo que me
dei conta disso, mas ainda não consegui contornar essa situação.
Ontem eu achei que ia morrer, e isso tem me acontecido com
frequência. Não tenho vivido desde então. Tenho sobrevivido sem
muito ânimo.
Os dias doem, os anos pesam nas costas. Sofro as antecipações,
divagações, animações e desatenções da vida. Tenho medo do
medo. Mas tenho mais medo ainda do que isso tudo ainda pode me
causar. Porque parece que os dias encurtaram, que o tempo resolveu
correr e eu não acompanho mais o ritmo das coisas.
Não sei mais o que fazer, Zé. Nem a quem recorrer. Me sinto cada
vez mais só, mas isso não tem me causado tristeza. Às vezes eu
acho que as pessoas são não estão preparadas. Outras
vezes, acho que elas só estão cansadas demais para se importar. Eu
também, Zé, acho que estou cansada demais. Da vida, dos dias,
daquilo que acabei por me tornar.

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