segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Por enquanto tá doendo.


(Leia ao som de "Eu e Você Sempre", na voz de Jhama e Luiza Possi)

São dores que não se explicam. Por isso eu deixo doer. A saudade já faz parte da rotina, então não tenho do que reclamar. Longe de mim, espero que seja ao menos feliz como demonstra ser. Eu não, não faço mais questão nenhuma de esconder, foi-se o tempo de camuflar sentimento.
Nada do que sou agora me recorda o que já fui um dia. Incrível como uma dose de amargura fecha portas que nunca mais serão abertas, e escancara verdades que nos esfregam a cara no asfalto quente.
Além da queda, o coice. Mais certo do que dois e dois sendo quatro. Na pior das hipóteses, me preparo para morrer, sem criar expectativa de dia seguinte. Sei lá, a conta é injusta de qualquer jeito, prefiro não ter mais essa preocupação.
Mas não sou toda assim, só desilusão. Guardo num canto escuro da alma minha pouca e fresca vontade de viver. Tenho planos, sonhos não. Muito supérfluos e sujeitos à frustração. Metas me parecem mais seguras e alcançáveis.
Tento ver o lado proveitoso do mundo em quase tudo a que me sujeito. Sei que lamentações precisam de um muro, não de ouvidos já cansados dos seus próprios problemas. Cá escancaro meu muro das lamentações. Aos que interessa, a visita será sempre bem-vinda.
O ano tem corrido, as obrigações vêm e vão. A chatice continua a mesma, só muda de figura. Tem me faltado tempo para destilar o veneno que corre nas veias. Vou me envenenando. Criando o antídoto. Quem sabe uma hora passa. Logo, logo, assim que puder.

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