(Leia ao som de "Eu e Você Sempre", na voz de Jhama e Luiza Possi)
São
dores que não se explicam. Por isso eu deixo doer. A saudade já faz
parte da rotina, então não tenho do que reclamar. Longe de mim,
espero que seja ao menos feliz como demonstra ser. Eu não, não faço
mais questão nenhuma de esconder, foi-se o tempo de camuflar
sentimento.
Nada
do que sou agora me recorda o que já fui um dia. Incrível como uma
dose de amargura fecha portas que nunca mais serão abertas, e
escancara verdades que nos esfregam a cara no asfalto quente.
Além
da queda, o coice. Mais certo do que dois e dois sendo quatro. Na
pior das hipóteses, me preparo para morrer, sem criar expectativa de
dia seguinte. Sei lá, a conta é injusta de qualquer jeito, prefiro
não ter mais essa preocupação.
Mas
não sou toda assim, só desilusão. Guardo num canto escuro da alma
minha pouca e fresca vontade de viver. Tenho planos, sonhos não.
Muito supérfluos e sujeitos à frustração. Metas me parecem mais
seguras e alcançáveis.
Tento
ver o lado proveitoso do mundo em quase tudo a que me sujeito. Sei
que lamentações precisam de um muro, não de ouvidos já cansados
dos seus próprios problemas. Cá escancaro meu muro das lamentações.
Aos que interessa, a visita será sempre bem-vinda.
O
ano tem corrido, as obrigações vêm e vão. A chatice continua a
mesma, só muda de figura. Tem me faltado tempo para destilar o
veneno que corre nas veias. Vou me envenenando. Criando o antídoto.
Quem sabe uma hora passa. Logo, logo, assim que puder.

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