quarta-feira, 20 de julho de 2016

"O tempo às vezes é muito amigo, muito claro..."




"Acordo tarde, o dia ainda é claro
Muita coisa do passado
Que distrai a atenção
Arrumo a mala e já não penso em nada
Dia de pegar a estrada
De olhar a contramão
E a contramão parece uma lembrança
Que se perde muita coisa
Muita coisa é pra se perder..."
(Maglore)


     Voltar um pouco sempre me traz a sensação de que já vivi demais. Ao mesmo tempo, sei que provei muito pouco do que a vida tinha para me oferecer.
É engraçado dar de cara com o passado. Não que isso aconteça com muita frequência. O meu me deixou faz um tempo considerável, e eu fiz questão de manter os vazios que foram se abrindo.
A gente aprende a substituir. Aprende que é preciso desviar o foco e não falar mais a respeito, mesmo quando no peito ainda martela uma vontade de querer dar solução para o que não foi resolvido. Algumas coisas não se resolvem mesmo, o tempo me confirma isso todos os dias.
A gente não, a gente tem que enfrentar um dia de cada vez, atropelar a vontade de desistir, procurar uma saída e dar um novo rumo para as nossas escolhas.
Não dá pra pegar a contramão sempre. Não dá pra sobreviver de lembranças, muito menos da vontade de voltar e fazer diferente. Às vezes acaba e a gente nem se dá conta. Às vezes nem acaba, porque nunca teve um começo de fato.
Não é que eu tenha desacreditado da vida. Não sou tão amarga, só aprendi a respeitar o tempo e suas condições. A verdade é que ele não espera nada, nem ninguém.
Quando a gente se dá conta, passou uma vida. Passou da hora. Passou a vontade. Passou a verdade. A mentira não, fica sempre como um fantasma. Aparece só pra assombrar. Pra cutucar a ferida.
Mas passa. E a gente se dá conta disso quando percebe o quanto ainda falta pra sofrer. O quanto a vida segue sem que a gente possa dar jeito. E como as coisas vão acontecendo, os ciclos vão se fechando, como a gente deixa de ser tanto a gente, tanta coisa.
As exigências diminuem. Os sonhos também. Tudo me parece mais tangível e palpável agora. Mais próximo da realidade.
E o passado só me tem uma serventia: provar o quanto a gente pode errar nas escolhas. Não que eu me arrependa, mas agora sei o quanto deveria ter feito diferente. Nem sempre a vida aceita desculpas. Ou melhor, nem sempre a desculpa compensa o rumo que a vida decide tomar.




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