"De algum jeito vai passar."
- Oswaldo Montenegro
Às vezes eu sinto falta de ser quem eu gostaria de ter sido. Não sei, acho que o tempo e a vida nos condicionam a circunstâncias tão avessas que acabamos perdendo a essência daquilo que éramos. E chega um ponto em que não podemos mais ser pelo simples fato de já não mais nos caber aquela condição.
Eu sei que isso soa confuso toda vez que tento explicar. As palavras nunca são suficientes nessas horas, e eu me sinto ainda mais cansada por necessitar tanto dessa nota de esclarecimento. É como passar a vida se desculpando por precisar vivê-la.
Ao mesmo tempo em que o mundo ao meu redor exige uma resposta da minha parte, sou confrontada pelos meus medos, receios e entraves. Não sei, mas as coisas se agigantam na minha mente, e tudo o que faço para me levar adiante parece me conduzir dois passos para trás.
Já não vejo isso como falta de fé. Também não parece ser algo que só acomete a mim. O problema maior é não ter com quem contar, não ter conforto em nenhum canto da alma. Eu cansei de buscar explicações. Não vejo mais sentido em justificar as coisas. Eu só queria ser eu, sem que isso abrisse um leque de suposições e perguntas para as outras pessoas.
Eu não me interesso pelo que a maioria pensa ou espera. Mas eu não suporto isso de viver a expectativa do outro. Verdade seja dita, já difícil demais viver a nossa própria expectativa em cima daquilo que sonhamos.
Não quero piedade, não quero ajuda, não quero conselho. Quero paz de espírito. Quero poder ser aquilo que tenho em mente, sem precisar justificar a escolha. Amanhã ela pode mudar, não vivemos à base de verdades incontestáveis. Eu só não quero ser aquilo que me condicionaram, nem aquilo que esperam ou acreditam que devo ser.
A verdade é que a vida em si tem me deixado muito cansada. Desse ser e deixar de ser. Não sei se consigo. Ou melhor, nem mesmo sei se é realmente preciso conseguir. De quantas crises é feita a vida que a gente escolhe pra viver? De quantos planos B é feita a sorte que acreditamos ter?
Eu já não tenho muito tempo para pensar, nem fazer. Ao mesmo tempo, faço de tudo e não me vejo em nada. Difícil viver sem rumo. Difícil errar sempre a estrada.

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