quarta-feira, 6 de abril de 2016

"Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar...



...Porque ela vai ser o que sempre quis
Inventando um lugar..."
(Tigresa - Caetano Veloso)

    Sabe Zé, assim como quase tudo na vida, eu gostaria de convencer as pessoas de que a gente tem o direito de se enganar ao menos uma vez na vida. Quando não, duas, três, quatro, cinco vezes. É que essa regra de escolher uma opção e arcar com as consequências acaba sendo dura demais. Falo por mim, só Deus sabe o quanto tenho sofrido em virtude das escolhas mal feitas.
    Mas aí mora o outro lado da história. Só o erro me mostra o que deveria ter sido feito, o rumo que deveria ter sido tomado. Então, acabo por julgar que o erro também é parte essencial dessa história, parte fundamental dessa arte que é crescer.
    Zé, em nada me pareço com a pessoa de cinco anos atrás. Aliás, pra ser bem sincera, acho que já nem vejo sombra do meu eu de dois anos atrás. Logo eu, sempre tão incomodada e resistente às mudanças.
    Mudei tanto meu gosto, meus propósitos, minhas vontades. Tenho tentado ao máximo desacelerar a vida, entender a minha necessidade de segurança, compreender as coisas que só o silêncio nos ensina.
    Às vezes me dou conta de que não sou nem metade daquilo que almejo, por outro lado, acho que já fui bem mais além do que esperava. Não me vejo mais em mim, ao mesmo tempo em que tenho certeza de que nunca fui tão eu como sou agora.
    Então, Zé, como eu faço o mundo entender que o passado só valeu para me ensinar que eu não queria nada daquilo?! É como se a minha escolha em nada se encaixasse com o meu presente, de tal forma que não há como planejar um futuro sem nada realmente tangível.
    Meio louco, Zé. Frustrante. De que mais é feita a vida se não de pequenas alegrias e grandes frustrações?! Nesse meio tempo, a gente aprende. Ou não. Mas sobrevive da mesma forma. Assim tem sido.

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