...Porque ela vai ser o que sempre quisInventando um lugar..."(Tigresa - Caetano Veloso)
Sabe
Zé, assim como quase tudo na vida, eu gostaria de convencer as
pessoas de que a gente tem o direito de se enganar ao menos uma vez
na vida. Quando não, duas, três, quatro, cinco vezes. É que essa
regra de escolher uma opção e arcar com as consequências acaba
sendo dura demais. Falo por mim, só Deus sabe o quanto tenho sofrido
em virtude das escolhas mal feitas.
Mas
aí mora o outro lado da história. Só o erro me mostra o que
deveria ter sido feito, o rumo que deveria ter sido tomado. Então,
acabo por julgar que o erro também é parte essencial dessa
história, parte fundamental dessa arte que é crescer.
Zé,
em nada me pareço com a pessoa de cinco anos atrás. Aliás, pra ser
bem sincera, acho que já nem vejo sombra do meu eu de dois anos
atrás. Logo eu, sempre tão incomodada e resistente às mudanças.
Mudei
tanto meu gosto, meus propósitos, minhas vontades. Tenho tentado ao
máximo desacelerar a vida, entender a minha necessidade de
segurança, compreender as coisas que só o silêncio nos ensina.
Às
vezes me dou conta de que não sou nem metade daquilo que almejo, por
outro lado, acho que já fui bem mais além do que esperava. Não me
vejo mais em mim, ao mesmo tempo em que tenho certeza de que nunca
fui tão eu como sou agora.
Então,
Zé, como eu faço o mundo entender que o passado só valeu para me
ensinar que eu não queria nada daquilo?! É como se a minha escolha
em nada se encaixasse com o meu presente, de tal forma que não há
como planejar um futuro sem nada realmente tangível.
Meio
louco, Zé. Frustrante. De que mais é feita a vida se não de
pequenas alegrias e grandes frustrações?! Nesse meio tempo, a gente
aprende. Ou não. Mas sobrevive da mesma forma. Assim tem sido.

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