As
últimas 24 horas foram insanas, Zé. Sinto-me 24 anos mais velha.
Quem diria que crescer daria nisso?! Sou clichê o suficiente para
dizer que iria embora se soubesse antes o que sei agora. Me consolo
na música, Zé, desacreditei demais no ser humano, seus remédios e
tratamentos. A alternatividade nos obriga a seguir um caminho, então,
no fim das contas, de que adianta?!
Estabelecemos
o sistema e, desde então, somos vítimas dele. São regras e
exceções que nos condicionam a ser, e ver, e estar. Fugir à regra
também nos delimita a seguir outro caminho, outro sentido, outra
orientação. Para onde olho, vejo pontos cardeais. E cá dentro a
longitude se agiganta.
Fazer
o certo requer uma dose a mais de nós, Zé. Nunca me pareceu tão
válida a premissa de pensar antes de agir. E quanto mais eu penso,
menos eu ajo. É frustrante, mas a gente acostuma a ideia. Ser tão
diferente da massa me faz parte integrante e homogênea dela. Sou uma
exceção, e como tantas, acabo sendo só mais uma. Parte do todo. É
confuso, Zé, mas o que nessa vida não é?
Não
vou dizer que estou cansada, que quero fazer diferente. Cansei disso.
Quero finalmente ser igual e, quem sabe assim, fazer alguma
diferença. A cada dia me desafio a ser mais do que eu realmente
acredito conseguir. Não que eu precise ser grande, mas preciso ir
além. Ninguém espera mais de mim do que eu mesma.
Tenho
sentido na pele o alto custo que a vida cobra com o passar dos anos.
E acho sim que a vida deveria ter manual de instrução. Ninguém me
informou que o tempo de uso fazia esse estrago na gente, Zé. E me
incomoda essa sensação persistente de que, para alguns estragos,
pode não haver reparos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário