sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sobre a inevitável sentença de crescer.


    As últimas 24 horas foram insanas, Zé. Sinto-me 24 anos mais velha. Quem diria que crescer daria nisso?! Sou clichê o suficiente para dizer que iria embora se soubesse antes o que sei agora. Me consolo na música, Zé, desacreditei demais no ser humano, seus remédios e tratamentos. A alternatividade nos obriga a seguir um caminho, então, no fim das contas, de que adianta?!
    Estabelecemos o sistema e, desde então, somos vítimas dele. São regras e exceções que nos condicionam a ser, e ver, e estar. Fugir à regra também nos delimita a seguir outro caminho, outro sentido, outra orientação. Para onde olho, vejo pontos cardeais. E cá dentro a longitude se agiganta.
    Fazer o certo requer uma dose a mais de nós, Zé. Nunca me pareceu tão válida a premissa de pensar antes de agir. E quanto mais eu penso, menos eu ajo. É frustrante, mas a gente acostuma a ideia. Ser tão diferente da massa me faz parte integrante e homogênea dela. Sou uma exceção, e como tantas, acabo sendo só mais uma. Parte do todo. É confuso, Zé, mas o que nessa vida não é?
   Não vou dizer que estou cansada, que quero fazer diferente. Cansei disso. Quero finalmente ser igual e, quem sabe assim, fazer alguma diferença. A cada dia me desafio a ser mais do que eu realmente acredito conseguir. Não que eu precise ser grande, mas preciso ir além. Ninguém espera mais de mim do que eu mesma.
    Tenho sentido na pele o alto custo que a vida cobra com o passar dos anos. E acho sim que a vida deveria ter manual de instrução. Ninguém me informou que o tempo de uso fazia esse estrago na gente, Zé. E me incomoda essa sensação persistente de que, para alguns estragos, pode não haver reparos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário