Às
vezes eu tenho preguiça da vida. Me falta vontade e coragem pra
seguir adiante. Acho engraçado como tem gente que simplesmente leva
a vida. Eu não consigo. Viver me afeta. A vida em si tem me causado danos irreparáveis. Queria ser
mais leve. Queria não pensar tanto. Nem remoer, reviver, ir e voltar
tantas vezes ao longo do dia. Queria fluir, pura e simplesmente, como
as canções e Belchior que descobri na tarde frustrada de hoje. O
tempo tem mexido tanto comigo.
Sinto-me
mais velha do que a real idade que o calendário acusa. Ainda que
tentem me fazer pensar o contrário. Envelheci bem mais do que
deveria nos últimos anos. Em mim habita um ser quase secular,
enquanto pouco mais de duas décadas se acumulam nas linhas da minha
existência.
Tenho
sido só e gostado dessa ausência. Tenho excedido minha presença.
Exercido o autoconhecimento de quem nada sabe a respeito de si. Ou
que se engana quase sempre. Ainda sou ruim, mas em quantia bem mais
dosada e medida. Ainda peco na minha ânsia de acertar as coisas. E
tenho pressa, embora peça todas as noites um pouco mais de
paciência. Ainda tenho muito a melhorar, embora eu consiga mensurar
o tamanho do crescimento cá dentro.
Sei
reconhecer meu erro. Sei pedir desculpas. Sei o meu limite e procuro
não mais avançar o sinal. Procuro seguir a regra. Cumprir o prazo,
atingir a meta. Tento não me exceder além do que a minha natureza
exagerada já me exige. Todo dia eu procuro ser menos para, quem sabe
assim, ser bem mais do que eu acredito que mereço.

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