quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Porquês.


   Acho engraçada essa mania humana de simbolizar as coisas, significar a passagem do tempo de alguma forma que torne palpável tudo aquilo que o decorrer do destino trata de trazer e levar. Por isso comemoramos a passagem do ano, o cumprir da década, a evolução do século, o passar do milênio.
    É como se buscássemos sempre justificar a vida. Cheios de porquês e para quê, a fim de satisfazer gregos e troianos com algo que nem mesmo nós conseguimos confirmar com satisfação.
    A vida é feita de maturação. E só depois de muito apanhar a gente se dá conta de que é impossível antecipar as coisas. O destino, independente da nossa vontade, vai se cumprir.
    Não que sejamos totalmente vulneráveis ao acaso. Ainda exercemos o livre arbítrio em grande parte dessa história. Mas nem sempre conseguimos mensurar os alcances das consequências. É uma roleta russa, um jogo de sorte; ou azar, você escolhe.
   Mas o que me faz gostar de toda essa magia em torno da evolução é constatar as pequenas coisas. É sentir as mudanças de uma forma tão presente que até parece tátil. 
    E é nessa hora que me vem uma vontade enorme de colocar um bilhetinho debaixo da porta de Deus, agradecendo cada tropeço e cada afago. E dizer, por fim: agora entendo o porquê de tudo aquilo.

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