quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Qué díficil es deshacernos del ayer.


    Acho que vim para essa vida a muito contragosto, Zé. Tanto que a morte não me assusta. Não a encaro como algo ruim. Sempre encontro uma leveza tão grande no deixar de ser, me soa como sinônimo de sossego. Sei que nem sempre ela chega com aviso prévio. Às vezes ela até rouba um tempo que julgávamos essencial. Mas quem somos para dizer o que deve ou não permanecer? 
    Sabe, as noites me têm sido inquietantes como há muito não eram. Essa vontade de ser algo além não tem me permitido ser o que já sou. E tenho partido sem realmente ter provado tudo aquilo que desejava. Ai, Zé, viver assim me parece tão desnecessário. Eu só gostaria de viver a medida exata do tempo, sem acumular passado, apressar futuro e desprezar presente. 
    Você tem povoado minha mente e eu tenho fugido porque já me é de costume. Também porque não enxergo saída. Esse caminho não me permite retorno. É só uma linha reta, infinita. E quanto mais eu corro em direção ao fim, mais eu me distancio dele.    

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