Agora,
enquanto escrevo, percebo como você me faz falta. E isso não tem
nada a ver com o amor que eu construí ao seu redor. Não, não tem
nada de sentimental nessa constatação. Talvez eu finalmente tenha
me dado conta do que é essa falta sua dentro de mim.
Passa
longe de ser amor. Paixão não dura mais de dois anos, já dizem os
estudos, então eu também posso descartá-la. Isso nem chega a ser
apego, não, eu até me viro bem. A
falta que eu sinto é da sua pessoa. Do papel essencial que você
desempenhou tão bem durante um determinado tempo e que, desde então,
não encontrei substituto. E seu lugar permanece assim, vago, porque
nenhum dos candidatos se mostrou hábil o suficiente para assumi-lo.
Você
sumiu e eu te odeio às vezes por isso. Mas sei que também tenho
culpa. Eu só não sei o que fazer. Porque eu também sei que esse
vazio não vai ser preenchido como ele era. Não, não dá mais, por
mais que a gente queira (ou só eu).
E vai ser sempre assim, até eu achar alguém que, depois de uma leve
podada, consiga se adequar aos estreitos. Não sei, vai ver isso
também foi só mais uma ideia da minha cabeça, mas como eu gostaria
de te ter agora completando esse vazio como só você sabia fazer.
Não,
eu sei que já não vai mais acontecer. Mas a gente não pode se
culpar pelas coisas que sente, pode? Não, a gente se culpa
pelas coisas que faz – ou deixa de fazer. Eu mesma, não posso fazer
mais nada.

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