Então
Zé, você fez a sua escolha. E mesmo eu já não estando mais presente
nos seus dias, gostaria de ao menos dez minutos da sua atenção.
Acho que posso exigir isso depois do que vivemos.
Não
quero restabelecer qualquer vínculo, nem te parabenizar pelas
últimas conquistas, não vou nem dizer que desejo que um raio te
atinja, não, Zé, minha raiva já passou. Mesmo tendo consciência
de todo mal que você me fez, já consigo lidar de forma madura com
isso. Embora não pareça. Embora as circunstâncias te mostrem o
contrário.
Mas
você também não é nenhum santo e no quesito solução, você
nunca alcançou a média. Não, também não vim aqui para desmerecer
tudo o que fez, mesmo eu sempre esperando um pouco mais de você. O
erro foi meu em esperar. Porque lá no fundo eu sabia que não seria
nada daquilo.
E é
por isso que estou aqui. Só para ter a certeza de que foi exatamente
isso o que nos aconteceu. Você não estava nada disposto a tudo o
que eu propus, de tal modo que era bem mais fácil fugir e fingir,
afinal de contas, esse negócio de amor deixa a gente cego.
Então
me diga, Zé, confirme de uma vez que nada daquilo fez sentido um
segundo sequer, porque só assim eu me convenço de uma vez por todas
de que não passou de fantasia. Ilusão da minha mente fértil de
histórias bonitas.
Nossos
livros estão separados, Zé. Dos capítulos em comum, nada de
concreto ficou. Espero que a sua história seja ao menos bonita como
aquela que sonhei pra gente. Seja feliz, Zé. Você me deve isso já
que não foi capaz de fazer por mim.

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