Lembro o passado com um gosto um tanto amargo na boca. Não que a vida tenha sido uma sucessão de infortúnios, não, até que eu sobrevivi bem. Mas guardar em si passagens que nunca passam acaba por sobrecarregar o trem da vida. Ficamos mais lentos conforme o peso vai se sobrepondo aos trilhos.
O destino gosta de nos pregar peças. De nos fazer pagar com a língua. Faz a gente aprender com tudo aquilo que foi dito além e com tudo o que ficou por dizer. Não sei o que pesa mais, os excessos ou as faltas.
Sim, porque há como se encher de vazios. Existe uma forma estranha de se preencher com aquilo que não nos acrescenta em nada, mas acaba por ocupar um espaço gigantesco em nossos dias. Nos emudece, enfraquece e suga mais de nós a cada dia, mês ou ano que se cumpre.
A morte é a maior de nossas certezas. E também a mais temida. Talvez porque seja incompreendida em sua maior parte. Ninguém garante com veemência o que se passa depois da passagem. E não há um meio de voltar atrás. Assim como quase tudo na vida. Não se volta atrás, mas é possível fazer diferente. Com a morte não. A morte exige uma definitividade. Nos prende ao eterno. O que acaba sendo efêmero com o caminhar do tempo. O trem corre depressa e, às vezes, eu acho que vai depressa demais.

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