sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Incurável.


     Me falta calma, Zé. Não consigo mais sobreviver a tudo isso que me propus. Por que a gente não pode simplesmente assumir que errou e começar do zero, sem apontamentos, desapontamentos, arrependimentos?!
    Estou cansada, Zé. De ser o que sou e de não ser nada no fim das contas. Cansada demias para ganhar qualquer discussão ou justificar minha falta de vontade por não querer ser aquilo que os outros querem que eu seja.
    Hoje foi terrível, Zé, e o dia ainda nem acabou. Acho que as dores do mundo doem mais em mim do que em qualquer outra pessoa. Sofro mais porque adio sofrimento, não procuro mais enfrentar as coisas de frente. Tenho medo, Zé, de tudo nessa vida. Mas tenho ainda mais medo do que me tornei.
    Eu só queria a sorte de uma escolha certa. De ser feliz com aquilo que me propus a ser. Não sei, Zé, não sou. Só sei lamentar por todos os erros cometidos para chegar até aqui.
   Nem ânimo, nem disposição. A organização de fora tenta camuflar o caos que se apoderou por dentro. Sou um furacão em andamento. Destruo toda sombra de vontade que ousa ultrapassar os limites da minha alma.
    Sinto que tenho perdido um tempo precioso nessa minha ânsia de ser alguém. Talvez se já não fosse nada eu não teria com o que me preocupar. Me dói tudo, Zé. Minha alma está doente.
    Com quem a gente consulta dor de alma?! Que remédio a gente toma pra curar aquilo que não tem jeito?! Esse mal é incurável, Zé. Estou acometida e acorrentada à dor de ser eu mesma.

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