Me
falta calma, Zé. Não consigo mais sobreviver a tudo isso que me
propus. Por que a gente não pode simplesmente assumir que errou e
começar do zero, sem apontamentos, desapontamentos,
arrependimentos?!
Estou
cansada, Zé. De ser o que sou e de não ser nada no fim das contas.
Cansada demias para ganhar qualquer discussão ou justificar minha
falta de vontade por não querer ser aquilo que os outros querem que
eu seja.
Hoje
foi terrível, Zé, e o dia ainda nem acabou. Acho que as dores do
mundo doem mais em mim do que em qualquer outra pessoa. Sofro mais
porque adio sofrimento, não procuro mais enfrentar as coisas de
frente. Tenho medo, Zé, de tudo nessa vida. Mas tenho ainda mais
medo do que me tornei.
Eu
só queria a sorte de uma escolha certa. De ser feliz com aquilo que
me propus a ser. Não sei, Zé, não sou. Só sei lamentar por todos
os erros cometidos para chegar até aqui.
Nem
ânimo, nem disposição. A organização de fora tenta camuflar o
caos que se apoderou por dentro. Sou um furacão em andamento.
Destruo toda sombra de vontade que ousa ultrapassar os limites da
minha alma.
Sinto
que tenho perdido um tempo precioso nessa minha ânsia de ser alguém.
Talvez se já não fosse nada eu não teria com o que me preocupar.
Me dói tudo, Zé. Minha alma está doente.
Com
quem a gente consulta dor de alma?! Que remédio a gente toma pra
curar aquilo que não tem jeito?! Esse mal é incurável, Zé. Estou
acometida e acorrentada à dor de ser eu mesma.

Nenhum comentário:
Postar um comentário