Sei
que não costumo ter essas conversas por este meio, ou acabo sempre
desistindo quando tento, mas a verdade é que essa falta de tempo tem
me tirado a paz.
Meu
Deus, o Senhor bem sabe que me lembro de Ti durante todo o meu dia,
mas costumo dedicar um pequeno espaço de tempo, que julgo sagrado,
para Te deixar a par do que se passa aqui dentro. Como tem me
incomodado a rotina dos últimos tempos. Sei que, em grande parte, a
culpa é minha. A minha insatisfação com as escolhas do passado
influencia diretamente no meu presente e, por assim dizer, sou
acometida por um medo besta da vida e das mudanças que ela me exige
fazer.
O
Senhor bem sabe o quanto sou avessa às mudanças. Toda ameaça que
ousa reposicionar aquilo que já foi categoricamente arranjado no meu
dia a dia, acaba por me fazer sofrer muito até que ocorra a
adaptação. Mas Deus, como eu quero mudar isso.
O
Senhor tem plena consciência dos planos que tenho em mente. Não são
nada grandiosos perto daquilo que podes me oferecer. Já quis bem
mais, já acreditei piamente que as escolhas feitas me levariam a um
lugar de destaque e que tudo não passaria de merecimento.
Hoje
sei que não é só isso. Que a vida é bem mais que merecimento. É
aprendizado. Só se consegue algo, de verdade, quando aprendemos a
importância disso. Eu aprendi muito com os rumos que a vida tem
tomado.
E
não, Deus, eu não quero pedir que me antecipe as coisas porque já
aprendi toda a lição. Sei que ainda estou longe disso. Sei que
ainda vou me incomodar um pouco mais até perceber que minha zona de
conforto não tem me permitido viver nada daquilo que me propus.
Mas,
Deus, como eu gostaria de saber o que fazer para acabar com essa
inconstância dentro de mim. Como eu quero estabelecer metas e
cumprir tudo à risca, mesmo quando o mundo me diz o contrário. Como
quero redesenhar o caminho e, por fim, me realizar nas escolhas que
fiz. Eu sei, Deus, ando muito em falta. Sei da falta de tempo e
dedicação para com tudo isso. Sei que tenho me justificado e me
escondido na rotina mesquinha que me obriguei a cumprir.
E
isso não é um desabafo, nem um pedido. Talvez nem mesmo uma carta
de desculpas. É mais um lembrete. Para mim e para o Senhor. Eu sei
de tudo o que se passa aqui. Mas eu só ainda não sei o que fazer a
respeito. Será que ainda tenho tempo? Ou melhor, de quanto tempo eu
realmente ainda preciso?

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