Eu tenho muito
medos, Zé. Muito arrependimento amontoado aqui dentro. E vontade de ter feito
as coisas diferente. Sabe, Zé, às vezes eu me deixo sofrer com as coisas mais
do que deveria, mas é que tudo isso me chega de uma forma que não é possível
controlar, então eu me deixo doer até um dia estancar, quem sabe.
Não é descuido, Zé, nem falta de vontade. Talvez seja falta de controle, mas aí não depende só de mim, depende? Tenho feito a minha parte, tenho insistido, tenho me obrigado ao máximo. Por favor, Zé, não me ame menos por isso. Mas também, não me ame tanto, tenho sérios problemas com isso.
Mas o que eu tenho
tido mesmo é medo, muito medo. Não só do que tudo isso me causa, mas do quanto isso
tudo ainda vai causar. O quanto vai doer até que se torne só passado, vivido e
ultrapassado?
Às vezes eu quero que a vida corra e se consume no menor espaço
de tempo. Ao mesmo tempo, queria voltar e viver um pouquinho mais boa parte do
que já passou. Mesmo com tudo
o que dói. Mesmo persistindo nos erros que me pareciam tão certos. Talvez pudesse fazer melhor. Talvez não ficasse tão ruim assim. A gente sempre cultiva um lado otimista para aquilo que não se resolve mais.
Ai,
Zé, eu me sinto a mais antiquada das criaturas te dizendo isso, mas eu nunca
segui muito bem a melodia da vida, não costumo dançar conforme a música. Como já te
disse uma vez, acho que me esqueceram no tempo errado e, bem, quanto a isso eu
não posso fazer nada a respeito.

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