Hoje eu
lembrei como a vida tratou de nos distanciar. Mas não só ela, talvez você tenha
sido o maior causador disso tudo. Claro, não me escuso de culpa, mas acredito
que a sua falta de interesse sempre construiu um abismo entre nós. Hoje a nossa
distância ecoa nas entrelinhas que o passado guardou.
Seu
desinteresse era vívido. Gritava aos olhos do mundo. Engraçado como agora ele
me parece tão latente. Como o amor pode cegar a gente. Não sei se, de fato, era
intencional, mas hoje sei o quanto a sua falta de paixão por nós acabou por
desconstruir as pontes.
Eu não falo
aqui de saudade. Nem de arrependimentos, sabe, acho que o tempo tratou de nos
levar para direções tão opostas que nada do que passou interfere substancialmente
no hoje. Talvez exista sim um descontentamento com tudo aquilo que podia dar
certo e não deu, mas eu me obrigo a acreditar que nada termina bem se já começa
mal. E nós fomos mal em todos os pontos.
Por que falar
disso agora? Não sei, pra falar a verdade esse nem é um diálogo, é mais uma
forma de conscientizar a mim mesma, um monólogo particular que resolvi abrir
para o mundo. Acredito que os anos e a evolução da espécie me permitem esse
capricho.
Ademais, nunca
fui de pedir licença para aquilo que sinto. Apenas vivo. Já perdoei meus
excessos a seu respeito. Faria diferente se pudesse, mas não posso, então
aceito a sorte que me foi dada. E procuro não guardar nada além do que
essencialmente preciso. Sobram abismos em nossas moradas. Hoje eu já sei que
não sinto sua falta. Aprendi, por fim, depois de tanto convívio. Nossas
ausências preenchem o que o passado deixou vazio.

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