Queria te ver
de novo. Queria saber como anda sua vida, seus gostos, seus acasos. Que música
toca no carro enquanto você cumpre a rotina. O que te conforta num domingo à
tarde regado de chuva. Queria saber das tuas novas manias, gostos excêntricos e
vontades ocultas. O que você faz pra matar o tempo. Queria saber dos seus
planos, das novas metas, se está mesmo feliz com a vida que leva. Sim, por mais
que pareça o contrário, cá dentro eu desejo uma conversa longa, regada de
nostalgia, caras de espanto e felicitações.
E isso tudo só
me interessa por um motivo: você me roubou de mim. Levou minha melhor parte e
sinto informar que o estrago ainda se alastra pelos corredores da vida. Não
bastasse o passado, sinto meu futuro escorrer pelo ralo diante de toda falta
que ainda sinto.
Interessa
muito, porque desejo encontrar um mínimo conforto possível dessa falta de mim.
Espero, do fundo do coração, que tenha feito bom proveito de tudo aquilo que
levou.
Por enquanto,
tento contornar os estragos com a fé abalada que ainda existe, a vontade pouca
que sustenta meus dias, e a esperança inquieta de quem já não aguenta mais. Se
cuida, quem sabe assim você ainda cuide um pouco de mim.

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