Zé, setembro
chegou com o frescor de quem já não mais aguentava os dessabores de agosto.
Porque ele desgosta tanto a vida assim? Aquela tristeza decantada no fundo da
alma resolveu se incorporar ao resto de matéria prima que me sobra. Melhor
unida, detesto essas greves dentro de mim.
Não tenho tido
muito tempo, Zé, as saudades têm sido poucas. Na verdade, tenho desejado
furtivamente adiantar o filme da vida, só pra ver se me distraio do cenário
geral e rotineiro. Me falta tempo para as coisas de que realmente gosto,
aqueles 15 minutos de paz sublime enquanto degusto uma lista de músicas, mas
tenho seguido o script, não me sobram muitas opções no fim das contas.
Mais feliz
não, eu diria que ando um tanto mais otimista. Ou crente de que, uma hora, as
coisas vão se ajeitar. Ou, pelo menos, deixarão de dar errado. Tenhamos fé.
Setembro me
parece um tanto apressado, o que ainda não pesei ser bom ou ruim, então deixemos
o ciclo se cumprir, não tenho tido muita paciência com as coisas que me fazem
desacreditar um pouco, por isso decidi seguir a seguinte estratégia: se é pra desestabilizar
a estrutura, vamos deixar estocado naquele canto inutilizado da vida, pois pro
que não se tem remédio, remediado está. Eu sei, mais clichê impossível, melhor
se acostumar, Zé, a vida é uma sucessão de coisas comuns.
Falando nisso,
acabei de pagar com a língua mais uma vez (tão comum). Cedi aos encantos da
grinalda depois de ouvir o “Sim” de Oswaldo. Pelo estreito momento que durou a
canção, me imaginei na cena e disse sim um milhão de vezes seguidas. Dançadas e
marchadas. Claro que ri logo em seguida. Mas a gente não perde a mania de
sonhar, Zé. E rir disso tudo.
Tem que
acreditar. Tem de haver nem que seja uma dose única de esperança para manter a
bússola da vida no rumo certo. Tem que haver um lugar, Zé, um caminho ou um
canto qualquer do mundo que se encaixe perfeitamente (ou nem tão perfeitamente
assim) ao nosso ideal humano. Deve existir pelo simples fato de sermos
merecedores disso. Ou, pelo menos, aptos a receber.
Zé, na vida
cabem muito mais tristezas que virtudes. Mas não é porque a balança sempre
pende para um lado que a gente vai se habituar a isso. A vida é uma sucessão de
hábitos. Seguidos de insanas mudanças repentinas. São elas que nos determinam.
O mais, o mais é puro cumprimento de burocracias. E eu acredito que as minhas
estão todas em dia.

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