Um minuto de
silêncio pela morte de mais um dos meus anseios. Mesmo depois de tanto apanhar,
ainda não aprendi a lidar com essas perdas. Tenho uma coleção de sonhos renunciados,
encaixotados na última gaveta do armário. Tenho fome de um futuro incerto, e
desejo copiosamente o amanhã na mesma proporção em que gostaria de voltar dez
anos e fazer diferente.
Sou
contradição dentro das minhas certezas exatas. Prezo por um nível sustentável
de paz e equilíbrio que quase nunca consigo alcançar. Faz duas semanas que não
alcanço. Enquanto isso, finjo que vivo, pelo inútil motivo de ser a única
opção.
Faço pouco
para mudar, talvez, talvez pudesse e devesse fazer mais. Mas não quero. Não
depois de pesar na balança os excessos e acertos. Como eu peco por tentar
acertar. Melhor deixar como está.
Tenho vivido
da vida a quantia exata do que ela tem me oferecido. Preciso me esforçar mais
se pretendo mesmo realizar as mudanças que tenho cultivado como jardim de
esperança. Um campo cheio de trevos-de-quatro-folhas na minha mente.
Conversei pouco
com Deus esses dias, tudo culpa do cansaço. Ele tem maltratado meu corpo já não
lá muito estável. Preciso lembrar de pedir perdão por isso também. Tanta coisa
pra agradecer e pedir, temo não dar conta mais uma vez.
Tenho namorado
a ideia de desistir de tudo. E ela tem sido cada vez mais atrativa. Incrível o
poder da paixão de cegar a gente. Mas, por experiência própria, aprendi a usar
uma dose extra de racionalidade quando me vejo assim, fascinada por outra
paixão arrebatadora. Chega de cortes, sangue e mortes.
Pulemos para a
parte da vida que realmente interessa. Sim, a do campo de trevos. Espero não
ter que matar mais nenhum deles, detesto sepultar minhas vontades. Por viver de
expectativas, parte de mim morre toda vez que uma delas não é alcançada.

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