Exijo respeito, não sou mais um sonhador." (Chico B.)
Zé, senta
aqui, vamos conversar. Já não tenho pessoa de confiança, muito menos alguém com
tempo e disposição para ouvir, então vai ser você mesmo, que sempre me quebra
um galho.
Não, Zé, não
vou repetir que estou cansada, que quero mudar, que desisti das coisas. Isso
você sabe melhor do que eu mesma. Vou te contar dessa falta antiga que me
acompanha, não sei bem ao certo desde quando, mas é que ultimamente ela tem
sido tão viva em mim. Acho até que já encontrou morada.
Veja bem, eu
sempre fui de conversas mornas, por puro cumprimento de regras de etiqueta. A
verdade é que eu tenho um pouco de preguiça daquilo que não me desperta
interesse. Mas sei fingir bem, e como finjo para me adequar ao mundo.
Mas sabe, Zé,
hoje eu queria alguém pra falar do nada mesmo, é, desse sentimento de fim de
domingo, que guarda aquela inquietação entre o fim e o começo de tudo. Queria
alguém que me ouvisse e respondesse a tempo – não só visualizasse, entende?! -,
queria sair de casa, colocar os pés na areia, ver um pôr-do-sol, ou até ouvir
música enquanto cai uma chuva.
Queria
parceria pra me acompanhar nos estudos, na viola, nos perrengues e naquelas
horas em que o coração dá um nó e te deixa pelo avesso. Eu ando torcida dentro
de mim, Zé, com a alma toda amarrotada. E já não tenho ombro amigo além do seu.
Não estou
pedindo opções, Zé, eu só quero seguranças. Um voto de confiança, será que é
pedir muito?!! Talvez eu conheça um mundo inteiro, faça mil e um novos amigos,
mas isso não vai me adiantar de nada se eu não puder ser eu mesma. E falar dos
meus medos sem soar tola. E contar dos sonhos sem parecer ingênua. E rir da
vida, Zé, porque ela só tem me feito chorar.
Eu sei, isso
não soa nada bem, não preciso de outro puxão de orelha. Mas senta aqui, Zé, me
dá tua mão ou, pelo menos, me cede o ombro pra eu me recostar e esquecer por um
minuto de tudo o que essa conversa já me fez lembrar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário