domingo, 9 de agosto de 2015

Trilha Sonora.


E você me chega pelas ondas do rádio. Tudo bem, talvez seja a temperatura baixa, ou o peso de ser domingo. O fato é que a música te traz de volta aos meus dias que não mais comportam sua presença.
Lembra como nossa relação sempre foi musical?! Não, nada como uma peça da Broadway, chamo atenção para o fato dela ter trilha sonora. Quer dizer, as músicas certas me lembram das circunstâncias exatas. Ou talvez fosse você mesmo, você gostava de me definir em músicas. E isso me irritava bastante. Era proposital. 
Mas é engraçado constatar que toda canção classificada nessa lista agora me traz uma memória sua. Em alguns casos, nada muito exato, já em outros, consigo até mesmo reproduzir o diálogo em minha cabeça.
Já te escrevi sobre aquela canção que não fez sentido na hora certa, mas tenho a leve impressão de que você não chegou a ler, o que não me espanta em nada vindo de você. Acho incrível a sua falta de interesse para certas coisas em contradição direta com sua mania quase obsessiva de se intrometer onde não deve.
Não, isso não é um sermão. Muito menos um pedido de desculpa pela minha forma tão brutal e arisca de te aceitar por perto. É apenas saudosismo de quem sofre os efeitos de um ciclo mensal, por favor, não me julgue, apenas me entenda. Você fazia isso bem, disso eu ainda sei.
Às vezes eu enxergo uma distância quase secular entre nossas vidas. Não consigo mais enxergar presença nesse espaço de vazios. E pensar que teria sido tanta coisa se você fosse um pouco mais atento. Nos restou abismos. Cada um para o seu lado, mesmo com cumprimentos tímidos e desejos acanhadamente sinceros (assim espero, da minha parte foi).
Da última vez, te dei adeus embebida em canecas e chá. Hoje, te recebi com a visita do cientista. Amanhã, eu não sei, pode ser qualquer um, tanto faz. Chegue como quiser, só não faça bagunça. A lei dessa casa é a ordem. Apenas obedeça.  

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