E você me
chega pelas ondas do rádio. Tudo bem, talvez seja a temperatura baixa, ou o
peso de ser domingo. O fato é que a música te traz de volta aos meus dias que
não mais comportam sua presença.
Lembra como
nossa relação sempre foi musical?! Não, nada como uma peça da Broadway, chamo
atenção para o fato dela ter trilha sonora. Quer dizer, as músicas certas me
lembram das circunstâncias exatas. Ou talvez fosse você mesmo, você gostava de
me definir em músicas. E isso me irritava bastante. Era proposital.
Mas é
engraçado constatar que toda canção classificada nessa lista agora me traz uma
memória sua. Em alguns casos, nada muito exato, já em outros, consigo até mesmo
reproduzir o diálogo em minha cabeça.
Já te escrevi
sobre aquela canção que não fez sentido na hora certa, mas tenho a leve
impressão de que você não chegou a ler, o que não me espanta em nada vindo de
você. Acho incrível a sua falta de interesse para certas coisas em contradição direta
com sua mania quase obsessiva de se intrometer onde não deve.
Não, isso não
é um sermão. Muito menos um pedido de desculpa pela minha forma tão brutal e
arisca de te aceitar por perto. É apenas saudosismo de quem sofre os efeitos de
um ciclo mensal, por favor, não me julgue, apenas me entenda. Você fazia isso
bem, disso eu ainda sei.
Às vezes eu
enxergo uma distância quase secular entre nossas vidas. Não consigo mais
enxergar presença nesse espaço de vazios. E pensar que teria sido tanta coisa
se você fosse um pouco mais atento. Nos restou abismos. Cada um para o seu
lado, mesmo com cumprimentos tímidos e desejos acanhadamente sinceros (assim
espero, da minha parte foi).
Da última vez,
te dei adeus embebida em canecas e chá. Hoje, te recebi com a visita do cientista.
Amanhã, eu não sei, pode ser qualquer um, tanto faz. Chegue como quiser, só não
faça bagunça. A lei dessa casa é a ordem. Apenas obedeça.

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