Ai, Zé, essa noite eu tive um
encontro daqueles com o passado. O mais engraçado é que eu já previa que ele ia
acontecer. Mas, ainda assim, foi mais extraordinário do que eu esperava. Calma,
eu te explico. Às vezes a gente tem uma visão fixa da coisa toda e se esquece
de que, muitas vezes, o tempo trata de rearranjar tudo. A gente tropeça nas
pedras que nós mesmos colocamos no caminho. Ou nas pedras dos outros também.
Zé, você bem sabe que meu
passado tem pedras que insistem em barrar meu caminho, mas tenho aprendido a
desviar toda vez que sou testada. Por que eu aprendi, Zé, que a vida vai seguir
independentemente das minhas vontades. Que os anos vão tratar de reorganizar o
estrago que algumas pessoas fizeram. E que não há problema algum evitar o que
não no faz bem.
Isso de maturidade também é
relativo, e mais vale uma noite de sono tranquilo estando bem consigo mesmo do
que viver a favor do mundo e morrer em si. Já morri demais, Zé. Agora quero
viver um pouco do que me é de direito.

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