Agosto chegou
diferente, Zé. Quase sempre ele me dói. Traz algum mal na bagagem que acaba por
marcar meus dias. Mas dessa vez, o que há muito não acontecia, estou embebida
de uma alegria ingênua com os dias que estão por vir. Calma, não é nada mundialmente
revolucionário. É mais um gostinho de querer ver as coisas darem certo.
Nunca fui dada
às mudanças, mesmo sabendo que elas ocorrem independentemente disso. Eu poderia
listar mil e uma explicações para essa minha resistência ao novo, embora ele
quase sempre me encante. Acho engraçada essa incongruência na minha natureza.
Desde sempre ouvi dizer que sou corajosa, que carrego isso no nome (misticismos
à parte), que nunca tive medo de ser ou fazer diferente e talvez, por isso
mesmo, mudar me atraia, mas me cause resistência na mesma proporção.
Gosto de
pensar diferente, Zé, mais ainda, gosto de ser diferente. Já ouvi que faço isso
para chamar atenção e me lembro, com certo pesar, que me doeu um pouco. Não
pelas palavras em si, mas pela pessoa. E ri hoje ao me recordar disso, pois
adoraria dizer a essa pessoa o quanto ela estava enganada a meu respeito. Não só
nesse, mas em todos os sentidos. Ignoremos. Aliás, tenho feito muito isso.
Sempre achei que ignorar fosse uma espécie de arte. Hoje tenho a convicta
certeza de que é uma opção mais leve de se levar a vida. Ignorando aquilo que
não nos acrescenta nada.
Zé, eu tenho
muitos medos bestas, o que vai de encontro com o ideal de coragem que me
apregoaram. É incrível constatar a lógica inversamente proporcional da coisa.
Quanto mais velha fico, menos coragem demonstro ter. Mas isso se deve também ao
fato de saber. Hoje eu sei de muita coisa, Zé, e quanto mais sei, menos quero,
ou acredito que vou conseguir.
Então talvez
seja esse o meu grande desafio daqui pra frente: saber o suficientemente
necessário para querer na medida certa. E ignorar todo o resto. Até porque as
opções têm sido escassas. São tempos difíceis, Zé. Pra mim e pra você.

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