"A te che cambi tutti i giorni e resti sempre la stessa."
Eu gostaria de diminuir os bloqueios. Hoje, por milagre ou precisão, acordei bem humorada, embora levantar ainda seja um martírio para mim. Ignorei o fato de não ter nada de bom para o café da manhã. Ignorei meu cabelo que, mais uma vez, decidiu não colaborar. Ignorei o fato de a roupa não cair bem e precisar gastar outros tantos minutos disfarçando as imperfeições que só eu vejo. Sai de casa. Veja bem. Não é o tipo de coisa que faço com frequência nos últimos meses. Tentei me encaixar. Parecer normal, quer dizer, é o mínimo que se pode exigir de alguém. Mais uma vez o mundo foi mais esperto do que eu. Mais uma vez não acompanhei a valsa dos dias, por mais uma vez senti falta de estar só. É engraçado como, ao mesmo tempo, eu desejo tanto estar só e me apavoro com o fato de não poder contar com mais ninguém. As pessoas riem, cordiais, querem saber da vida, dos planos, daquela que parece expirar autoconfiança e progresso. E, simplesmente, não sei do que falam. Por que ninguém toma consciência desse medo que me rodeia? Será mesmo que sou só eu? Veja bem. Não quero ser o que resolvi, por bem, ser anos atrás. Também não creio ter estômago suficiente para encarar outra batalha como a dos últimos anos. Eu não sei mais o que sou. Nem quem eu quero ser. Eu não queria mais nada. É essa a verdade. Nada disso. O que me falta? Ou melhor, será que me sobra algo? Ao mesmo tempo em que quero que o tempo passe, desejo copiosamente adiar a vida. Amanhã, mês que vem, para o ano. Qualquer dia. Menos hoje. Hoje não, não sou ninguém. Nem quero ser.
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