O peso do mundo não cabe mais nos meus dias. Às vezes ele sobrecarrega meus ombros. Sinto um cansaço descomunal. Mas há raros momentos em que a dor do mundo, que também é minha, se cala. Faz de conta que até passa. Nunca passa, mas aparenta. Se fosse pra escolher uma música, estaria entre a melancolia da mpb e a virtude de um samba. Sim, há dias em que, cá dentro, me sinto como quem rodopia embalada pelas cantigas, antigas, recentes, despertas, dormentes. A música é o melhor remédio. E todos nós precisamos de remédios na mesma proporção que precisamos de um tiro, um novo amor, dinheiro no bolso e saúde. No fim, é tudo a mesma coisa. Voltamos para o mesmo buraco, nosso mundo particular, cuja lógica só nós entendemos, e não há santo no mundo ou milagre que faça mais alguém embarcar nessa história.
Assim como as canções, as paixões e as palavras, sempre acho que posso conseguir mais. Ao mesmo tempo, tenho a convicta ideia de que não preciso de nada além do que posso oferecer. Tenho entrado em conflito comigo mesma ao longo do dia. Tento, inutilmente, fazer as coisas durarem o tempo que elas merecem. A meu ver, algumas se estendem mais do que realmente deviam, ou precisam. Guardo num calabouço mal resolvido tudo aquilo que ficou, por assim dizer, inacabado. Sabe Deus quantos fins precisamos enfrentar para aceitar um novo começo. E quantos começos são precisos para terminarmos o que começamos?
Ainda sou a mesma em muitos pontos, mas ainda continuo de portas fechadas para muita gente. Não tenho medo. Não receio reencontros. Apenas os evito. Por cuidado e implicância. Aquilo que te fez mal uma vez pode voltar e te fazer mal pela segunda. Ainda hoje rememoro conversas vazias que não me fizeram sentido algum, e hoje me fazem aceitar o causídico destino que tratou de ser a vida. Não sofro. Não me arrependo. Apenas habita em mim uma vontade enorme de passar disso tudo. Quando eu mais quis razão, só tive coração.
Agora já é outro tempo. Estou só. Estou bem. Na medida do possível, aprendi a gostar tão mais de mim como jamais alguém foi capaz. Aceitei o fato de ser assim. Sei que existe um tanto mais. Mas eu prefiro o presente. Sejamos isso, e além. Sejamos felizes, ou busquemos isso quase sempre, todo dia ao acordar.
"Amor, existe tanto pra gente
Por que será que você
Não quer saber o que eu tenho pra te dar?
Ai, é que eu só tenho o presente
E mesmo assim somos nós
O mesmo sol todo dia a me acordar"
- Alvarenga.T
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário