segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Jaz.


    Os dias têm sido curtos. Já cedo percebo o quanto o tempo correu na última dezena de semanas. E pensar que eu só queria pressa. Cá vejo meu ano sabático chegar ao fim. Tenho vivido sem muito desespero, apesar dos pesares, da idade, das cobranças, das escolhas feitas tão prematuramente. É difícil se decepcionar. Chegar ao ponto em que tudo deveria ocupar seu lugar e constatar que não era nada daquilo. Confiar sua felicidade a algo ou alguém que, simplesmente, não está muito disposto a isso. E é isso. Chegar ao fim. Abrir mão. Sofrer por tudo aquilo que te fez bem. Ou não, sei lá. Ah, minhas certezas, quão inúteis me são hoje! Ainda guardo uma meia dúzia de fantasias, besta isso, eu sei, mas necessário. Fatídico. O plano perfeito de fuga pra não enlouquecer. Ou se matar, só Deus sabe o quanto ainda penso nisso. No mais, tenho sonhado. Estrategicamente, construo uma vida pra daqui a algum tempo. Ainda me falta coragem. Ou motivação, não sei ao certo. Meus medos ainda me assustam. Ainda me calam. Me prendem. As cicatrizes ainda pulsam, e eu não quero tocá-las uma outra vez. Prefiro esquecê-las, ou fazer de conta. Paulatinamente, tenho estreitado os vínculos. Não se pode viver de traumas a vida toda. Uma hora eles serão vencidos. Supere o caso e, se não der, supere ao menos a demência de falar sobre ele. E, por mais perdida e sem destino, ainda prefiro o dia de hoje, sem qualquer expectativa ou dose de sorte. É que aqui, hoje, me parece bem mais seguro e menos propício a um ataque. Sem plano. É isso. Amanhã é outro dia. Talvez acorde disposta, comece o dia com uma caminhada. Talvez eu só não queira viver. Viver é um ato de coragem, eu sei, e há dias (e muitos!) em que isso nem é preciso. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário