“O fim está próximo. O mundo está perdido, e não há mais nada a se fazer.”Achei que morreria em 2012. Assistiria o fim do mundo com total conformação e até expectativa. Me recordo dos dias em que acordava e me perguntava o porquê de mais um se logo logo não se teria amanhã? Eu sei, confuso e ao mesmo tempo inútil para justificar as faltas nos compromissos e cotidianos alheios. Isso mesmo, porque ninguém está disposto a ouvir e discutir seu anseio persistente de suicídio. Podem até gastar dez ou vinte minutos lendo suas palavras severamente selecionadas e dispostas uniformemente numa página, de modo a soar o menos assustador e mais poético possível. Mas nada além disso. Ninguém está dignamente disposto a se preocupar em buscar uma ajuda para seu descontentamento. Pior, é nula a probabilidade de alguém aceitar e carregar, por menor que seja, uma dose de culpa a esse respeito. Então, antes de querer dar cabo à vida que lhe causa náusea e arrepios, saiba que estarás mais só do que nunca. E que essa é uma viagem só de ida. Sem querer mistificar o fim, sem eufemismos baratos, os que me conhecem sabem o quanto eu não costumo suavizar as coisas. Esperei a morte nos trezentos e sessenta e seis dias daquele infindável e desgraçado ano bissexto em minha vida. Vivi cada um clamando que o próximo não viesse. Morri em todos eles. Mais moribundo que a mais morta das criaturas na terra, suportei cada dia como sentença. Cumpri à risca a pena imposta. Pedindo a Deus paciência para não mudar os planos e acabar cometendo um assassínio. Sim, porque não basta querer morrer. Vai existir mais uma dezena de criaturas que se julgam maduras e conscientes o suficiente para lhe dizer o quão baldio é o seu objetivo. Ou que você só precisa enxergar o outro lado. Nada me irrita mais do que enxergar essa outra panorâmica dos fatos. Eu vejo o que sinto, o que alcanço com os olhos e consigo processar com a massa encefálica que me foi dada. Vejo e já vi demais, bem mais do que julgo querer e merecer. Vi o ano de 2012 passar e nada necessariamente significativo acontecer. Vi 2013 acontecer, roubar minhas certezas e me depositar dúvidas que ainda hoje não sei responder. Vi 2014 dar o ar da graça e caminhar a passos largos sem me trazer nada mais revelador e confortável. 2015, nem espero. Quanto à morte, não sei. Quer dizer, mais dia, menos dia, ela vem, então não vejo motivo para preocupação. Viver, isso sim dá medo. Me preocupa sempre. Temo não suportar os próximos dias. Mas eu também já fiz isso. No fim das contas é um ciclo vicioso. Nada chega sem um custo elevado. A vida, em si, é um jogo em que só perdemos.
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