E como cantiga divina, o verão acaba. Talvez não seja ainda a resposta que eu almeje pros meus dias, mas agora é outro tempo. Sem as coisas de sempre pra viver, rever, saber e quem sabe até querer. Passou do tempo de sofrer por estanque. Passou da hora de conter a avalanche. Parei de gostar, mentir não. Mentir é humanamente necessário em alguns casos e você bem sabe em quais. Mas é inaceitável esperar quando tudo mais nos empurra ladeira abaixo. De tantos amores engarrafados e desejos furtados, não sei em qual frasco esqueci pessoas e fatos. Cansei da rima pobre entre dor e amor. E da insegurança que era estar ao lado de pessoas tão instáveis. Não falo de humor, quão variável pode ser o meu em dias de sol. Falo do balançar da corda bamba, enquanto um afago me fazia dançar nas nuvens e mirar o chão. Falo da inconstância que a vizinhança trouxe. Falo dos pactos firmados e das promessas quebradas. E das cobranças de última hora, como se a vida, meu amigo, ainda fosse a mesma daqueles dias, se lembra?! Os anos podem ser cruéis, as pessoas mais ainda. Ah, no dia em que me permiti ser mais feliz do que realmente demonstro, desbanquei com um sorriso uma dezena de morcegos. Que outras tantas alegrias assim me povoem a lembrança, e que eu não desperdice uma gota. Dos abraços traíras guardei somente a certeza do quanto a vida pode nos parecer injusta. Mas nem por isso deve ser menos vivida. Pela primeira vez em anos, sinto a insegurança dos dias povoar meu peito. Tenho o cansaço dos últimos dois anos acumulado em sono e falta de vontade. Mas o triunfo também deposita em mim uma dose de conforto e confiança. Talvez em outra hora eu até deseje reatar um laço. Mas agora não dá, não há espaço pra mais tentativa. Hoje só quero concluir o que me desafiei a cumprir. Sem excessos. Sem metas. Quem sabe eu até chore em meio a tanto comodismo, mas, pelo menos, não choro mais pelos estragos de ontem. Que seja por mim toda a lágrima derramada. E toda alegria estampada também.

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