A verdade é que não procuramos amigos. Na verdade, em quase todas as vezes, eles caem de paraquedas em nossas vidas. Não, não, não parece em nada com uma exposição na prateleira: leais, alegres, companheiros, sorridentes, brigões. Só tarde, bem tarde é que a gente descobre quem é amigo e quem pensou ser. Não se escolhe por raça, cor e credo. Nem por beleza ou simpatia também. Mas é essencial ter coração, saber falar e calar, e ouvir mais do que necessário vez ou outra. Tem que entender de poesia, ou pelo menos gostar, porque viver em si é muito duro, e uma metáfora ou outra se torna indispensável. Deve ser paciente e consciente, além de saber guardar segredo, ainda que isso não lhe seja cobrado. Não precisa de título honorífico, ordem de preferência, pirâmide de Kelsen ou qualquer outro critério avaliativo. Só precisa ser perito em silêncios humanos, trazer nos olhos o raio X da alma e a cura pra uma ressaca de amor. Deve temer sua perda, ou pelo menos padecer de grande dor com a sua falta. Não é preciso mesmo gosto, como almas gêmeas univitelinas. Nada como uma boa dose de respeito pra unir a rima e a prosa. Sim, é essencial saber falar das coisas simples da vida, da efemeridade do tempo e dos neologismos do dia. E buscar entender quando se pede um pouco de privacidade. Procura-se no amigo um ponto de abrigo para fardos e frustrações, e uma companhia pra uma noite de lua e um coquetel de frutas. É necessariamente exigível de um amigo que ele tenha sempre um bom motivo para nos convencer de que vale a pena viver e de que as dores do mundo podem ser curadas se ainda são sentidas. Precisa também de uma fórmula mágica pra secar lágrimas e arrancar sorrisos espontâneos. Por fim, todo bom amigo, antes de tudo e qualquer coisa, deve compreender o peso da palavra ‘amigo’ nos braços, aninha-la e alimentá-la, sem mesquinharias ou excessos. E deve compreender com os olhos, e sentir com a alma a gratidão, conforto e alegria de se ter mais alguém em quem confiar. Não procuramos um amigo. Quase sempre o encontramos por acaso. Que tudo aquilo que ainda há de vir, venha repleto de acasos. E que os acasos passados nunca passem adiante, fiquem sempre perto e constantes, porque as fotografias aprisionam momentos, mas nossas lembranças, essas sim, resguardam saudades.
Os melhores acasos dos últimos 7 anos. De quantos cacos e pedacinhos é feita a sorte que achamos que seríamos?! Somos efeito do ontem que queríamos hoje, todas nós em seus mais
perfeitos derradeiros. Cabemos na mochila, no armário, na gaveta e no
porta-retratos, de tanto sermos partes de um inteiro, tratamos de caber no lado
esquerdo do peito pra não acomodar nem dor, nem saudade, do amor, só a verdade.
Ah tempo, cruéis são os dias que passam sem pedir licença. Injustas são as
mudanças que teimam em desmembrar destinos. Quisera, por Deus, tratar de nós
com carinho e só trazer saudade quando ela couber na distância do velocímetro.
Seis longos passos são também mais seis caminhos, eis que em todos os sentidos
eu encontre o que preciso pra me sentir em paz. Entre a alegria que me seca a
boca e a verdade que me abala a alma, vela por mim e por nós. Faz daqui
descanso pras horas difíceis e ponto de encontro pra celebrar felicidade todos
os dias. Amém.


Depois de tantas palavras lindas não me resta o que falar...perfeito!!
ResponderExcluirSeu texto para variar, está perfeito!! Amo vc amiga!!!
ResponderExcluir