Pra começar, vou deixar o conformismo carregar os dias a fim de aprisionar o passado. Não Deus, não cabe mais em mim aquele eu que deixei nos dias, constatei isso quando, porventura, o acaso quis me pregar outra peça e, veja só, dei cabo ao destino. Talvez de tudo na vida tenha me sobrado justamente isso. Pela primeira vez em muito tempo encho o peito pra vociferar: o bom do passado é que ele não volta. Se bom fosse, presente seria. Finalmente convenci meus vizinhos: não, não sou tão má quanto aparento ser, veja a história sob uma nova perspectiva e vai concordar. Ou melhor, cogito até admirarem a minha saudosa atitude diante do cavalheirismo sovina do outro lado da calçada. Ao contrário do que reza uma das minhas canções favoritas, que o tempo não permita uma proximidade repentina, nem um lugar cativo na lembrança. Foi o que disse Chico, já passou, supurou, estancou, acabou. Nada vai ser diferente, e não adianta fingir não saber o que houve de errado. Quem mais sabe de nossos erros somos nós. Digo mais, já que sabemos tanto, cabe a cada um definir o rumo da história. Sem espaço para clichês e flash back, deixemos o “algum tempo depois” dar o ar da graça. Sim, por que ainda existem sorrisos, e cores, e cheiros, esperando para serem degustados, deglutidos e tragados. Confesso já não mais guardar em mim aquela vontade furtiva e boba de me perder em braços e abraços pra poder me encontrar. Achei por bem assumir uma postura cética e até grosseira de ser eu mesma. Não vou esconder o que os anos trouxeram, nem vou evitar as lágrimas pelos motivos mais tolos. Aprendi da forma mais ferrenha a não sofrer além do que é preciso. E já nem vejo um bom motivo pra tudo isso que escrevi. Mas foi o que me coube nessa noite, não tenho um grande final ou uma boa rima. Pra quem me fez sorrir, e me fez chorar, quem me fez feliz, e me fez amar, deixo as entrelinhas.

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