domingo, 17 de novembro de 2013

O café a dois.


      Será mesmo só isso, Zé!? Você, mais do que ninguém, sabe do que estou falando. Gosto de tudo o que me traz azul, segurança e tranquilidade. É, Zé, meu céu é mais azul que o do resto do mundo, meu mar também, as lembranças que trago na vida, todas, sem exceção, trazem mais azul em seus contornos. Gosto de entrelinhas, de olhar a foto ultrapassada pelo tempo e recordar o dia vivido, a sensação. Ouvir a canção pela milionésima vez, dançar conforme a música, medir a vida pelos minutos que a melodia me apresenta. Gosto mais ainda de dedicatórias. Aquelas, feitas na folha de rosto, sem muito pensar, rabiscos de quem me tinha em mente quando resolveu pontuar. Nada demorado, cinco minutos preciosamente meus, resumidos em felicitações, desejos e saudades. Tenho pavor quando dizem ser difícil me escrever qualquer coisa, não gosto de saber que as pessoas pensam muito antes disso. Me faz ser complicada, difícil. Gosto da natureza que cada palavra pode trazer em si. Gosto de simplificar a vida no compassar das métricas. Quero cartões, amo cartas, qualquer post-it assinado em ‘att’. Porque desejo furtivamente aprisionar aquilo que me agrada e do papel elas não me escapam. Conformam-se na sua forma de ser inerte. Guardam em si um abrigo que é só meu e é algo de que necessito tanto, Zé, eu sei, parece bobo, mas é mais uma das minhas bobagens. Não preciso da compreensão do mundo. Basta ser compreendida por aqueles que me despertam a vontade de escrever cartas quilométricas. Sim, Zé, também tenho disso. Há dias em que me sinto viva o suficiente para rabiscar versos em todo e qualquer lugar que eu encontre. É nesses dias em que mais te encontro em mim. É nesses dias em que mais sofro, e talvez mais me sinta viva diante de tudo o que sinto. É besta, Zé, eu sei. Mas você sabe que ainda não encontrei uma maneira melhor de lidar com isso. (…) Preciso de mais linhas, papel e caneta, a inspiração acabou de se acomodar na cadeira ao lado, me olha de baixo enquanto degusta outra xícara de café. O que a gente faz quando ela decide se tornar rotina, heim Zé, me diz, o que é que a gente vai fazer?

Nenhum comentário:

Postar um comentário