Zé, é preciso aprender a ser leve. A vida, por si só, já é dura e pesada demais. Não vou esconder de você a verdade. A semana terminou e eu tirei muito pouco proveito dela. Gastei horas recuperando o sono que nunca cessa. Perdi a direção, atrapalhei o tráfego, e como você bem sabe, isso me afetou um pouco tarde demais. Mas tem a culpa também, Zé. Eu nunca fui de negá-la, aliás, sempre assumi mais do que me era devido. Aceitei em alto e bom grado a ideia de que eu era a causa pra todo efeito. E me tornei o efeito da causa, a culpa é minha, ponto final. Nada a declarar, nada a esclarecer. Argumentos jurídicos não me faltam, mas não bastam em si mesmos. E não importa a tese, a sentença transitada em julgado. Quem quer que seja vai deixar a culpa aqui, mesclada ao costume e esteriótipo. A sensação que tenho é que o ano vai terminar e o mês não. Que logo a rotina vai dar espaço à saudade, ou ao sentimento hostil de desejar tardiamente fazer tudo de novo, diferente e sem medo. Zé, já me adaptei às ausências, despedi-me tantas e tantas vezes ao longo de uma vida. São tantas figurinhas no álbum “alguém que eu conhecia”.
Não me arrependo, alguns remorsos são mais saudáveis que sentimentos estancados. Algumas distâncias são mais seguras que a proximidade. Aquela história de manter o inimigo sempre perto não me parece das melhores. Saber o que se passa na cabeça dele tem efeito reflexo a seu respeito. A ignorância é uma virtude capaz de salvar uma noite de sono. Não ver, nem sentir, nem dizer ou aparecer. As aparências enganam e os vazios refletem os avisos deixados pelo tempo. Que todo fim tinha um começo eu já sabia, mas hoje vejo que começa bem aquele que já sabe como terminar. Não sei findar as coisas, Zé. Não sei dar adeus, deixo aquilo enraizar no peito de forma dolorosa e louca. Só Deus sabe do peso que carrego na consciência. A vontade que me toma já tarde de noite, querer fugir de tudo o que me tornei, pelo simples fato de não me contentar com isso. Sofro com o desejo de antecipação do sonho. Acordo com 20, mas gostaria de ter 30. Ao contrário do mundo, tenho pressa de envelhecer e desejo copiosamente voltar duas décadas. No fim das contas, não sei mesmo de nada, Zé, e nada se mostra correto. Tudo pra mim parece pouco, ao mesmo tempo em que certas coisas me parecem demais.
Não me arrependo, alguns remorsos são mais saudáveis que sentimentos estancados. Algumas distâncias são mais seguras que a proximidade. Aquela história de manter o inimigo sempre perto não me parece das melhores. Saber o que se passa na cabeça dele tem efeito reflexo a seu respeito. A ignorância é uma virtude capaz de salvar uma noite de sono. Não ver, nem sentir, nem dizer ou aparecer. As aparências enganam e os vazios refletem os avisos deixados pelo tempo. Que todo fim tinha um começo eu já sabia, mas hoje vejo que começa bem aquele que já sabe como terminar. Não sei findar as coisas, Zé. Não sei dar adeus, deixo aquilo enraizar no peito de forma dolorosa e louca. Só Deus sabe do peso que carrego na consciência. A vontade que me toma já tarde de noite, querer fugir de tudo o que me tornei, pelo simples fato de não me contentar com isso. Sofro com o desejo de antecipação do sonho. Acordo com 20, mas gostaria de ter 30. Ao contrário do mundo, tenho pressa de envelhecer e desejo copiosamente voltar duas décadas. No fim das contas, não sei mesmo de nada, Zé, e nada se mostra correto. Tudo pra mim parece pouco, ao mesmo tempo em que certas coisas me parecem demais.
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