Sendo sincera, a gente até esquece, mas todo começo chega com um ponto final. Pouca coisa tem feito sentido além das dores que a idade trouxe. As responsabilidades colocaram em cheque a segurança que eu tinha em conseguir driblar os obstáculos, os sonhos se tornaram escassos, o dia se alongou pra pressa da noite passar, a alegria alheia me leva a crer muitas vezes que a minha está longe de chegar, se é que um dia vai chegar. Minhas esperas são seguidas de altas doses de ansiedade e outros tantos goles de insatisfação. O dia mal começa e minha primeira prece é para que ele termine sem dor, ou com o mínimo desconforto possível. Me consolo com as música, os livros, as palavras que deságuo quando as lágrimas não são suficientes, ou se encontram aprisionadas pelo ego mesquinho e a vergonha febril de não saber lidar com os acasos da vida. Minhas saudades são absurdas, sofro da falta daquilo que nunca tive. E talvez eu goste mesmo de sofrer, porque estabeleço metas inalcançáveis, só pra me desafiar ou esfregar na própria cara que não é assim tão fácil, e que não basta querer. Ah não, não vejo graça nos dias, nas pessoas, nas histórias que você tem pra me contar. Procuro finais. Felizes ou não. Gosto de pontos marcados, sem vírgulas, sem esperanças, expectativas. Gosto de ver as coisas terminadas. Maculadas na sua finitude, tornando-se infinidade. Talvez seja esse o começo do problema. Espero mais o fim do que propriamente o começo.
"O rio corre tão depressa,
talvez depressa demais."

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