quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Pesadilla.


    Outro sonho daquele. E outro. E tantos outros ao longo de tantos dias, e meses, e anos, e vidas. Será mesmo coisa da minha cabeça ou eu só tento me enganar com tudo isso, Zé? Começa sempre assim, com uma noite sem sono, em que o simples fato de respirar me incomoda. Então eu conto os minutos e fantasio personagens na cabeça. Construo mundos, desato laços, figuro amores impossíveis, incabíveis, imagináveis apenas na minha mente vaga e fértil. Decoro a letra das canções e faço delas orações. Mexo e reviro, amasso o travesseiro na tentativa inútil dele me devolver o sono perdido. A claridade me afeta, a escuridão distrai meus medos. Não preciso fugir e, no entanto, não encontro sentido para ficar mais e mais presa a esse passado. Acabou antes mesmo de ser verdade. E por que essas coisas ainda me atingem, Zé? Por que permanecem em mim e me assaltam nos momentos mais críticos? Mudei a rota tantas e tantas vezes, refiz planos, descartei números e pessoas. Não é o caos em si, mas a sensação nauseante que traz consigo. E quem diria, Zé, a amnésia não me afeta, sofro de excesso de memória, acúmulo de passado nas veias. Por mais que a mente bloqueie, pulsa em mim algo que não controlo, aqui jaz o que o passado me fez. É o tipo de coisa que não consigo evitar. E eu só posso decidir como me sentir a respeito. Mas, verdade seja dita, Zé, eu não tenho feito nada certo quanto a isso.

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