sábado, 31 de agosto de 2013

Que isso fique entre nós. Por nós.


     Ah não Zé, não adianta sentir saudade. Aprendi da maneira mais difícil a dizer não ao passado. Resisti com determinação às abstinências de um sentimento capenga de verdade, a renúncia voluntária à satisfação de um desejo por puro capricho. Não me permito luxos tão perigosos. Graças a Deus nunca sofri de amnésia, e como bem dizia Agatha Cristie, bendito os que têm memória de elefante, guardam um mundo em si e não se dão conta de suas dimensões. Prezo pelo mínimo de sanidade, Zé, não me submeto a nenhum tipo de teste de resistência, mate-me ou me ame de uma vez. De tanto ignorar os fatos da vida, achei de por um fim pro que não tinha mais jeito. O tropeço ensina mais, meu psicólogo musical tratou de deixar bem claro. Ouça outra canção, Zé, e pense em outra vida. Pra quê morrer de amor se o outro vai continuar vivo lhe esfregando felicidade na cara e rindo dos seus acordes abatidos? Ria da desgraça e aceite o encargo da insônia de algumas noites, mas não se deixe abater a ponto de ser controlado. Vamos deixar bem claro a correria dos dias, a dinâmica e o rumo distinto que a vida tratou de tomar. Dê-me outro gole, preciso sentir que tudo isso pode ir além dos lamentos e um livro no fim das contas. Os anos me fizeram acordar de um sonho vazio, hoje me despeço daquilo que certamente nunca serei. Não vou sentir saudade, não mais. Quando as coisas terminam, existem outras mil esperando para começar.

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