terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cotton candy.


   Se engana quem pensa que à noite tudo faz sentido. É a madrugada que trata de organizar o caos matinal e a ressaca noturna. Não apenas o nível etílico da situação. O gênero comporta a dor, o amor, o ódio, a repulsa e tantas outras espécies. Tive ressaca musical semana passada, aliás, tenho me preocupado cada vez mais com o meu cansaço em meio às melodias suaves do cotidiano. Cansei de Oswaldo, Belchior, Elis, Caetano, até Chico me soou antiquado da última vez. Não, por favor, nada de batidinhas, hip hop, samba, pop. Nem soul, nem blues. Estou cansada das letras de sempre, das frases feitas, de rima dita. A tevê mente o tempo todo, os jornais foram esquecidos na década passada, funcionam apenas como ‘mera formalidade’, como meu chefe costuma falar. Acostumei-me ao fato de as coisas perderem a graça e se acomodarem ao formalismo, etiqueta, bons modos, hipocrisia e poucos sorrisos. Nada de agradar o mundo, comprei flores pra minha janela, tenho reunião amanhã às 8, uma dor que não passa, fatura pra pagar, um livro pela metade, a consciência que pesa duas toneladas cada vez que consulto o calendário, e ainda me falta beleza, tempo e dinheiro. Tenho saudades de andar de bicicleta, comer bolo quente, trocar “casco” por algodão doce, tomar banho de chuva e todas essas coisas que uma cidade de interior oferece pra infância. Sofro mais porque sofro sozinha, nesse mundo de gente grande, que não leva nada a sério, mas me leva a sério demais. Tirando o lado ruim da história, até que vou bem, obrigada por não perguntar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário