segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sobre essas e outras mentiras.



                Procurei, inutilmente, nos livros e nas bulas de remédio, o manual ou mapa estratégico, que me levaria ao tão sonhado tesouro da maturidade. Mas hoje lhe digo: detesto a maturidade. Aflige-me o fato do mundo não caber na palma da mão, do destino simplesmente trilhar a rota contrária, do colo de mãe/pai não ser suficiente pra acalmar uma angústia. Já me dei conta de que saber demais nos leva a não saber de nada. Porque serei sempre a última a saber, e a primeira a sofrer as consequências. Sonhava, ainda pequena, em ser tronco, raiz profunda, árvore frondosa e frutífera. Mas é preciso solo fértil, e anda tão difícil preparar a terra com a escassez daqui. Escassez de vida, de sentido, de pingos nos i’s, períodos completos, pontos finais. São reticências, reticências, voltas e vírgulas, e pontos sem nós, é muito começo pra pouco final, acaba sobrando nas bordas, decantando no fundo do copo, acumulando nas extremidades da alma. Parece que bebi mais do que podia da vida, o que me resta é uma ressaca do dia que começa ainda cedo, e goteja como areia de ampulheta mal regulada. Meus dias se alargam pra comprimir minha semana. A vida ri de mim, ou dos meus planos, por ter ciência da inutilidade de todos eles. Acreditava que era muito, que era fácil, mas agora me parece um pouco tarde demais. Querem exigir de mim um comportamento. Querem me dizer tal qual devo fazer. Querem estourar meus tímpanos, querem me emudecer. É incerteza demais pra completar a frase, pra acordar tranquila. Pensei em fazer outro discurso fragmentado, mas nem as paredes guardam boas respostas.  Tudo foge ao controle, e isso é vida, acontece todo dia.