sábado, 6 de abril de 2013

Olhos de abril.



        Eu apenas queria uma noite inteira de sono. Despertar sem alarme, queria a paciência que me falta. Desfazer-me da incerteza que aflige, da amargura que me sobra, queria mais finais que começo, porque me vejo perdida no tempo e no espaço. Eu desejo até novas feridas, só pra poder acalmar as velhas cicatrizes. Não quero mais pitangas pra chorar, nem rancores pra remoer. Não quero gritar por justiça onde ninguém mais vê. A vida apenas corre, como carros que vêm e vão. E eu me vejo sempre na mesma calçada, sempre atrasada.