Só
depois de muito apanhar daquilo que o passado se tornou, compreendi que de nada
vai adiantar jogar na defensiva. A gente não muda o passado, mas ele pode
sofrer graves transformações com o tempo. E não adianta reclamar da vida, não
adianta rezingar o que se tornou, porque você fez o que fez, e está acabado,
nada volta a ser o que era, nada vai ser como se deseja. Quem escorrega uma
vez, tem mais cautela quando levanta. Não se deixa de ser amigo, e se já lhe
ocorreu de ser assim, é por que amigo nunca foi. As pessoas têm uma mania barata
de amalgamar simpatia e convivência. Posso habituar-me por 5 anos e não ver
amizade nisso. Posso conhecer há 5 dias, e encontrar meu melhor amigo. Posso
ainda apagar da minha vida, posso até já ter riscado dos meus versos, nomes e sentimentos.
Pode até já ter mexido em minha vida, mas de que importa agora? Não estão mais
ao meu lado, não fazem parte dos meus dias. Não farão a diferença, nem tampouco
a alegria. E eu só quero a paz de saber cuidar de mim, dia-a-dia, sem descanso,
sem comodismo, sem mais coisas pra dizer por dizer. Pode ser que eu me acostume
a ficar só, quieta no canto, por costume do coração fazer um nó. Pra todo mal no
mundo há um bem maior pra confortar, e nisso basta acreditar.
