segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sem pedir licença.


    Eu vi a morte de perto ontem. Eu vi, todos viram, na Rua dos Andradas, no Ginásio Municipal, nos hospitais. Não houve tempo, a morte não pede licença, ele se alastra feito fumaça no escuro, não há pra onde correr, não há tempo suficiente pra escapar. Invade a alma, entope os poros, alucina a mente... Será isso o cheiro da morte?!  Os gritos ainda ecoam nas paredes, na tv, na cabeça das pessoas. Mas o silêncio aterroriza mais. Apavoram as ligações que não são atendidas, a falta de palavras pra explicar porque aconteceu, pra encontrar um culpado. Onde estaria Deus nessa hora? Na força que liberou as portas, na eficiência dos bombeiros, na determinação dos que se salvaram e ajudavam no resgaste. Em todo aquele que perdeu a si para ajudar o outro. Agora Ele está em toda parte, nas doações, nos voluntários, nos familiares e amigos, em todo aquele que respeitou o luto de um país, e que tem lágrimas nos olhos sempre que a chamada do jornal passa.  Eu só penso e peço que, se a vida nos é roubada de forma tão abrupta, que o conforto possa chegar da mesma maneira e preencher de alguma forma o vazio que cada partida deixou. E que tenhamos tempo suficiente para amar nossos pais e amigos, de nos solidarizar com a dor do outro. Que não desperdicemos tanto tempo com picuinhas ridículas entre regiões, nem com a desgraça alheia. É a dor de uma nação, um luto que percorre o mundo, e que encontra abrigo nas mais diversas etnias. Todos jovens, não queriam perder um minuto de diversão, só curtir o presente, nós sabemos muito bem disso. Mas não houve tempo, perderam-se no caos, não abrirão os olhos para enxergar o futuro. 

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