quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Eu disse a mim mesma que era certo.





       Passa, um dia passa pra quem não tem pressa de fim de semana, um ano voa pra quem tá iniciando um curso, a vida corre enquanto buscamos inutilmente juntar os pedaços e formar o quebra-cabeça incompleto. Há de ter mais, há de se acreditar que as intempéries chegam e da mesma forma se vão. Que um mês é pouco pra quem tá perto, mas uma eternidade pra quem cruzou o oceano. Que as roupas antigas não nos cabem mais, assim como boa dose de passado não se encaixa no agora. Empacotamos os dias, as horas, os acontecimentos, tudo para a mudança que parece nunca chegar. E vem sem que a gente se dê conta. Vem e leva, talvez passado e presente, talvez nenhum dos dois. Eu desejo não mais ocultar qualquer discurso com o olhar, não quero contar ou evitar desabafos. Me roubaram de mim algumas vezes, e tudo bem, eu soube voltar. Soube partir quando não queria e caminhar quando o que eu precisava era ser arrastada.  No fim das contas, cada caso é uma porta entreaberta, que se fecha ou escancara, e nunca volta a ser como era. Veja bem, as coisas não ficam mal terminadas, é que seus fins se estendem e incomodam. E a gente vai acostumando a dor até ser só cicatriz. Um dia finda, uma hora passa. Perdemos o foco ou encontramos outros caminhos, há sempre uma nova possibilidade a ser tentada. E não havendo, a gente cria. Porque não fincamos raízes, somos profundos pela leveza de mudar com o tempo. 

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